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As drogas da democracia

2 nov

O Brasil elegeu sua primeira presidenta. Magavilha, Albertô, nosso sistema eleitoral tem vários méritos como a tecnologia e o alcance (o que não tem nada ver com a democracia em si. Na minha opinião, democracia pressupõe todo mundo saber votar, o que pressupõe um monte de coisas que a gente não tem aqui). Tem vários problemas, também, como a marketização da política, a espetacularização do debate esvaziado de sentido e ideologia, o escêndalo midiático e todo o resto. Mas eu quero tratar do que aperta o meu calo todo dia.

QUE SACO É DISCUSSÃO DE ELEIÇÃO.

Por que as pessoas acham que levantar bandeira no twitter é um sinal de status intelectual? Quantas das pessoas que esbravejaram “VIVA DILMA” ou “FORÇA SERRA” vão abdicar da balada na sexta à noite ou do final de semana pra fiscalizar ou debater política nos próximos três anos? Quem, de fato, foi analisar propostas e históricos pra votar e sustentar uma opinião?

Outra.. já perceberam como as pessoas discutem política como quem discute futebol? A vitória da Dilma mais parecia final de campeonato: foguetório, bandeirão em praça pública e o diabo. Agora, vai ter um bando de gente querendo que o país ande pra trás só pra dizer “eu disse, eu disse”… precisa?

Apóio o que  li dia desses: esolher entre Dilma e Serra era como escolher entre ter câncer no pulmão direito ou no esquerdo. Não acho que o Serra ia ter cojones pra tirar investimento da área social, nem que a Dilma vá tocar o puteiro tão fortemente assim. Assumo que tenho MUITO medo de Palocci, Zé Dirceu e tudo mais… mas apoiar nego que mandava uns Deus abençõe o Brasil no final do horário político também não era opção.

Era um festival de míopes vendendo óculos. Cada um vendendo sua visão deturpada como a cura para a cegueira alheia. Admiro quem tem suas convicções e luta pelo que acha justo, mas será que custa ser sensato?  Eu tentei abrir a minha cabeça nessas eleições,falei com muita gente e flexibilizei, sim minha opinião. Mas não quero doutrinar ninguém, muito menos aporrinhar.

Eu torço por um Brasil melhor, menos corrupto, melhor administrado e tudo mais. Mas enquanto eu não acho um jeito efetivo de lutar por isso, eu não fico poluindo a timeline alheia.

O Ser Mulher

26 jul

A menininha entre os caras, sempre fui mais eles do que elas. A bola, o carrinho, o futebol, a brincadeira de mão e o joelho esfolado. As músicas, a família, as turmas, o acaso. Esse comportamento rende várias brincadeiras do tipo “Ela é mais macho que todos nós juntos”, mas nem por isso eu deixei de ser mulher. Sou mulher por gastar horas me arrumando e perdendo tempo em detalhes só meus. Sou mulher porque me exibo. Posso ser jeans, camiseta, bota, scrapin, saia, decote,biquini, batom. Posso ser curvas ou  retas. “Peitos e poses e apelos”, também cabeça , boca, olhos, ouvidos. Penso, desejo, falo, danço, expresso-me em minha feminilidade, bela por si só.

Sou mulher e tenho o direito de ser. Escrevo hoje por mulheres privadas desse direito. Após ver o documentário “For Neda” da HBO, indignei-me ainda mais com o machismo, autoritarismo e a cultura pouco razoável da República Islâmica do Irã. Mulheres estão constantemente escondidas, subjulgadas, violentadas. Elas não podem se pronunciar, tem restrições para estudar, para sair às ruas. Elas não têm o direito de serem mulheres. São constantemente humilhadas, violentadas. É comum morrerem apedrejadas.

Algumas delas têm coragem de enfrentar e ser, como Neda. Neda foi uma mulher mesmo que seu mundo a tentasse impedir. Neda foi e se foi por um ideal.

E nós, mulheres, somos?

Direito a veto

16 jul

Foooi-se o tempo dos posts politizados nesse blog. Ficha limpa e tantas sujas não tem sido reportadas por aqui, e ia soar meio artificial começar a fazer o Maquiavel só pra não perder o timming eleitoral. Mas certas coisas me deixam sem reação, e eu gostaria de compartilhar com vocês parar tentar entender esse jeito surreal peculiar de encarar política em terras tupiniquins.

Pra não dizer que só partidária, uma bizarrice petista e outra democrata. MIZZPLICA FASFAVÔ?!

DILMA BOY

e isso: (não consigo salvar a imagem, vai o link) http://www.twitpic.com/25lnqt

E nem é Almodóvar

23 jan

Essa semana me aventurei pelo cinema e entrei na sala escura pra ver um título: à moda da casa (Fuera de Carta) . Não sabia nada além do que estava escrito na pequena resenha do HSBC Belas Artes, mas me pareceu atraente e tinha um horário ótimo. Pra quem não esperava nada, foi mais do que grata surpresa.

Uma comédia que faz rir (juro, não é tão simples assim) desde as primeiras cenas. Maxi (Javier Camara, de Fale com Ela) é quase uma caricatura de chefe de cozinha afetado, histérico o e obsessivo quando se trata da estrela do Guia Michelin (que resultaria no reconhecimento de seu restaurante e superação das dificuldades econômicas). E ah, ele é gay.

Esse último breve comentário faz TODA  a diferença: a comédia trata do homossexualismo com MUITO humor, mas sem deixar de lado o caráter sério da discussões sobre preconceito que ainda merecem espaço e todo o tipo de mídia e arte. Esse lado do filme fica mais do que claro no dilema enfrentado por Horácio (Benjamín xuxuzinho chileno Vicuña) , um ex-jogador de futebol que se apaixona por Maxi, porém sabe que assumir sua opção sexual afetaria de forma drástica sua carreira como treinador e comentarista de TV. (Se alguém mais lembrar do Richalyson nessa polêmicas “gays e futebol”, tell me)

Talvez o grande mérito do filme seja fazer com que essa polêmica permeie toda a narrativa sem que se torne o único assunto a ser retratado. A vida amorosa conturbada  de Alex  (Lola Dueñas, de Abraços Partidos) em busaca de um namorado e a crise familiar pela qual passa Maxi, ao deparar-se com o desafio de assumir o papel de pai de seus dois filhos quando a mãe das crianças morrem e cada pequena história da equipe do restaurante acabam por desenhar situações tão cômicas e emocionantes quanto a do conflito central e tornam um filme uma primorosa história sobre relações familiares, profissionais e preconceito. Ah, sem esquecer da fantástica opção de abrir mão de qualquer “Politicamente correto” e despertar a gargalhada daquelas mais escrachadas,  que você só pode soltar quando se trata de ficção,

Enfim, existe bom cinema espanhol além de Almodóvar (só que em alguns momentos, você jura que o filme é dele)

Sobre o tempo

4 out

Ele tem me faltado. O pobre blog ficou abandonado. Essa falta me incomoda. Quando incomoda eu escrevo.

O último post já tinha a ver com o tempo, é bem verdade. Mas agora o approach é outro. Daquela época em que a vida parece uma bomba relógio. Duas semanas praquilo, 2 meses pra isso, 24 horas, 5 minutos, 2 décadas.

Plano, vaidade, vontade, compromisso, desejo, vida social, agenda, tic tac, tic tac, tic tac. O tempo parece escorrer pelas mãos , como já diria Lulu. Muita pressa, otimização,prazos, metas, pouco sono, pouco ócio. Vivendo tudo que há pra viver, mas sem me permitir. Não me permito um dia sem estudar, não me permito faltar no churras, não me permito deixar passar AQUELA oportunidade. Eu não me permito? Os outros não me permitem, o sistema não me permite, os bons costumes não me permitem. Assim, com preguiça e botando a culpa nos outros , eu vou fingido me fazer, deixando que me façam.

Atire a primeira pedra aquele que não chega no domingo programando a semana. O futuro é necessário! Mas junto com ele vem o medo, a falha e todo o resto que me desmotiva. Justo eu, que ainda na semana passada me queixava de AINDA ter 16, AINDA estar no colégio e PERDER aquela oportunidade.

Essa ansiedade de abraçar o mundo aperta o coração.

Entrou por uma porta, saiu pela outra. Quem quiser que conte outra

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TOP 10 – AFLIÇÕES CRONOLÓGICAS

Tempos Modernos – Lulu Santos

Sobre o Tempo – Pato Fu

Amigo do Tempo – Mombojó

Paciência – Lenine

Tempo no Tempo – Mutantes

Senhor do Tempo – Caetano Veloso

O Tempo não Para – Cazuza

Tempo Perdido – Legião Urbana

Tempo sem Tempo – José Muiguel Wisnik

Meu mundo é hoje – Paulinho da Viola

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