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Manifesto das Mulheres que querem outra coisa

4 abr

Queimamos sutiãs em praça pública, conquistamos o direito de votar e já somos lideranças políticas. Chefiamos família, cumprimos jornada tripla com depilação, menstruação, reclamação. Nós damos conta.

Mas tem certas coisas impossíveis. Não porque não damos conta, mas porque não PRECISAMOS dar. Não é possível que depois de tudo que a gente não possa querer uma coisa tão simples: outra coisa. Não sei se eles sempre precisam de uma muleta ou é uma endemia da geração, mas eles nunca percebem isso.

Homem é tudo igual e a história é sempre a mesma. Arbitrariamente, os ditos colocam na cabeça que nós queremos “algo sério”, toda uma situação é desenvolvida em torno disso até que eles somem, é claro, porque não queriam a coisa séria. Eles saem de cena, muito coerentes, sem dizer o que quiseram, queriam ou ainda querem com tudo aquilo. ESCUTA AQUI, CARA PÁLIDA, NÃO FALTOU SABER DA GENTE?!

Existem mulheres que estão tranquilas no canto delas. Que não querem ficar junto depois da primeira ficada, namorar depois da primeira transa, conhecer família, mudar status de facebook, trocar alianças nem nada disso. Elas querem o que vocês dizem querer, mas nunca parecem estar dispostos a construir. Não somos mal amadas, nem metidas a modernas, nem devoradoras de homens, nem fúteis… não, não. A gente só sabe “amor não é fácil de achar” e prefere esperar em boa companhia.

 

Jorge Drexler está muito se lixando

24 jul

um ato tão íntimo pra ser feito em público...

Não por acaso, o show é todo dele.

Jorge faz seu show, o tem sob controle em cada detalhe. Se a luz estiver errada ele para e gentilmente diz “agora é Jardinero” olhando para cima. Levando o repertório na ponta dos dedos, ele reconhece até mesmo o tom da microfonia (era um Fá Sustenido) e ainda faz piada com o rammy (conhecido como ruído ou, no caso, “equipamento emocionado”).

Como o show é dele, ele convida quem ele quiser. E que convite! Camelo entra pra ser homenageado por Jorge Drexler, que interpreta Doce Solidão. Mas o hermano não é o único homenageado da noite. Temos também Caetano, ausente, que perdeu uma bela versão milongada de Sampa, cheia do “Mais respeitoso desrespeito”. E nessa hora é que Jorge estava mesmo se lixando, corrigindo uma unha que acabara de se quebrar. Acontece quando a emoção toma o intérprete de assalto.

E  quando a emoção tomou a plateia, ele sentiu-se no direito de coibir. Afinal o show era dele e palmas não combinam com Aquellos tempos interpretada apenas com voz e três músicos, simultaneamente, tocando uma mesma Marimba. Ou ainda, os versos podem ser difíceis demais para a platéia acompanhar, mas que ela esteja à vontade para contribuir no refrão.

Jorge Drexler é maestro de detalhes, e como Deus está nos detalhes, ele é aplaudido de pé.

Direito a veto

16 jul

Foooi-se o tempo dos posts politizados nesse blog. Ficha limpa e tantas sujas não tem sido reportadas por aqui, e ia soar meio artificial começar a fazer o Maquiavel só pra não perder o timming eleitoral. Mas certas coisas me deixam sem reação, e eu gostaria de compartilhar com vocês parar tentar entender esse jeito surreal peculiar de encarar política em terras tupiniquins.

Pra não dizer que só partidária, uma bizarrice petista e outra democrata. MIZZPLICA FASFAVÔ?!

DILMA BOY

e isso: (não consigo salvar a imagem, vai o link) http://www.twitpic.com/25lnqt

De amores escancarados

21 mar

Eles se conheciam há anos. E por conhecerem-se tanto, já não estavam certos do que era um no outro, o que era o outro em si, o que eram os dois. Mas tinham uma certeza: amavam-se. E de amarem-se tanto eclipsavam-se. Um jogo de esconde-esconde se firmava em cada olhar. Ela, toda abraços e carinhos, aprendeu por ele a se fazer de pedra e racionar-se, como que se o amor fosse gastar. Ele, cheio de sentimentos por todos, guardava o que era dela dentro de si, quase inacessível, não fosse o comentário baixinho ou o olhar dos mais penetrantes. E por isso amavam-se grande e intenso, escancarado por dentro. Às vezes, escapava só um pouco. Às vezes, esse pouco era de menos. Às vezes, doía.

E nem é Almodóvar

23 jan

Essa semana me aventurei pelo cinema e entrei na sala escura pra ver um título: à moda da casa (Fuera de Carta) . Não sabia nada além do que estava escrito na pequena resenha do HSBC Belas Artes, mas me pareceu atraente e tinha um horário ótimo. Pra quem não esperava nada, foi mais do que grata surpresa.

Uma comédia que faz rir (juro, não é tão simples assim) desde as primeiras cenas. Maxi (Javier Camara, de Fale com Ela) é quase uma caricatura de chefe de cozinha afetado, histérico o e obsessivo quando se trata da estrela do Guia Michelin (que resultaria no reconhecimento de seu restaurante e superação das dificuldades econômicas). E ah, ele é gay.

Esse último breve comentário faz TODA  a diferença: a comédia trata do homossexualismo com MUITO humor, mas sem deixar de lado o caráter sério da discussões sobre preconceito que ainda merecem espaço e todo o tipo de mídia e arte. Esse lado do filme fica mais do que claro no dilema enfrentado por Horácio (Benjamín xuxuzinho chileno Vicuña) , um ex-jogador de futebol que se apaixona por Maxi, porém sabe que assumir sua opção sexual afetaria de forma drástica sua carreira como treinador e comentarista de TV. (Se alguém mais lembrar do Richalyson nessa polêmicas “gays e futebol”, tell me)

Talvez o grande mérito do filme seja fazer com que essa polêmica permeie toda a narrativa sem que se torne o único assunto a ser retratado. A vida amorosa conturbada  de Alex  (Lola Dueñas, de Abraços Partidos) em busaca de um namorado e a crise familiar pela qual passa Maxi, ao deparar-se com o desafio de assumir o papel de pai de seus dois filhos quando a mãe das crianças morrem e cada pequena história da equipe do restaurante acabam por desenhar situações tão cômicas e emocionantes quanto a do conflito central e tornam um filme uma primorosa história sobre relações familiares, profissionais e preconceito. Ah, sem esquecer da fantástica opção de abrir mão de qualquer “Politicamente correto” e despertar a gargalhada daquelas mais escrachadas,  que você só pode soltar quando se trata de ficção,

Enfim, existe bom cinema espanhol além de Almodóvar (só que em alguns momentos, você jura que o filme é dele)

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