Codinome Beija-flor

amplificando segredos de liquidificador

Desabafo Novembro 27, 2009

Arquivado em: Momento, Olhando longe, Olhando o mundo — Beija-flor @ 12:42 am

Não sei explicar, mas sinto um peso novo….

Não é mais lição de casa, é auto-estudo.

Não é mais “passar de ano”, é a vontade de estar na faculdade que -acho que- eu quero.

Não é mais minha mãe me mandando comer direito, dormir cedo,  é a minha qualidade de vida.

Não é um compromisso, é o medo de frustar expectativas alheias.

Não é mais precisar do outro pra viver, e sim perceber os reflexos dele em mim…ainda que de longe.

Não é mais o cumprir as regras dos outros, é saber jogar com as minhas.

Acho que  isso é “crescer”, ouso dizer que isso seja “amadurecer”.  Tomar cosciência do peso e da medida dos meus atos e saber que, antes de tudo, sou eu o principal alvo e o único agente de cada um deles. Espero aprender a lidar melhor com isso dia após dia, paulatinamente. Afinal deve ser isso que chamam de “vida” nas rodinhas de gente grande.

“Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido.” Caio F. Abreu

 

WOODSTOCK Agosto 15, 2009

Arquivado em: Música, Olhando o mundo — Beija-flor @ 1:20 am

40 anos do festival flower power que fez história, fez cultura, mudou o mundo e reuniu gênios por uma causa mais que nobre numa geração adimirável.woodstock_music_festival_poster

Paz, cooperação, amor livre, música da melhor qualidade e muitas drogas. Analise sob o prisma que lhe apetecer.

Queria juntar muito material e fazer o post mais legal do universo, com tudo tudo mesmo. Mas em tempos de wikpedia e google isso não é grande mérito. E afinal tô escrevendo pro meu blog e não pruma enciclopédia.

Woodstock, nessa minha visão musicófila, adolescente e abobada foi o festival onde o The Who tocou sua ópera rock inteirinha, onde Janis se mostrava divinamente, onde Jimmi tocou o hino americano, onde o Santana tocou tão louco de ayahuasca que achava que o braço de sua guitarra era uma grande cobra eletrizada e incontrolável. Onde a geração Vietnã, burguês padrão, resto de sonho americano, Nixon-republicana-opressora sucumbiu por pelos menos 3 dias à esperança sonora, colorida, psicodélica e que sabia com o que sonhar.

E mais do que isso Woodstock inspira. O Ecos são ouvidos até hoje (MGMT e outros queridinhos modernosos não me deixam mentir), mas acho que se devia se prestar mais atenção. 500 mil pessoas, um festival que começou “pequeno” e pago pra virar público e enorme, incontrolável, maior que sí!

Uma busca insana pela paz (apesar do tamanho e da pouquíssima organização do festival, não há registro de violência), contra cultura escancarada alí. Um grito jovem pra alterar aquela ordem quadrada e indesejada. Não digo que eles eram maravilhosos, heróicos, indefectíveis, mas encontraram um jeito pra mudar o mundo. No mínimo marcaram. O mundo precisava daquilo.

E agora? Do que o mundo precisa? Estamos nós dispostos a fazê-lo?

“Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens”. Será?

Se a mentalidade exigida já não é “sexo, drogas e rock’n'roll” , teje certo que “axé, cachaça e putaria” também não.

Adimiro muito, e cansei de ser essa reedição barata de gente.

 

O amor é importante, porra. Julho 30, 2009

Arquivado em: Memória, Momento, Olhando o mundo — Beija-flor @ 2:43 am

Hoje eu tive vontade de escrever sobre o  Sarney,  sobre a imoprtância da internet para os protestos iranianos… assuntos densos cerebrais e importantes.

Olho meus arquivos e me vejo politizada, ácida e cheia de razão e opinião. Ela foi rareando, apesar de continuar existindo… acompanho os jornais, vejo as notícias, contínuo indignada mas não escrevo.

Um blog egocêntrico também não é bom, mas ainda é sentimento. Acho bom que sentimento circule, ganhe vida. Quem sabe alguém se identifica, quem sabe alguém sinta igual ou diferente.

Blogueiro escreve pra ser lido, senão estava tudo salvo no word.  Fico feliz se for lida e despertar sentimentos, ainda que seja repulsa. Acho que meu objetivo será mais facilmente alcançado se eu despejar minha memória afetiva ao invés das cobras do PMDB. Política choca (rara e momentaneamente), desabafo toca.

Agora eu tenho paz e tempo pra falar menos de mim. Talvez retome a politização… mas antes de tudo, uma nota pessoal pra mim mesma:

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Não curto o estoicismo Julho 1, 2009

Arquivado em: Olhando longe, Olhando o mundo — Beija-flor @ 4:03 am

As pessoas se assustam quando eu choro, eu não sou disso.

Também não sou de dar escândalo por causa de barata, nem vexame por grandes porres, nem showzinhos pitorescos por ciúmes ou amores mal curados.

Eu posso até parecer meio adepta do estoicismo.

Talvez minha sociabilidade moderada, ou timidez inrustida me faça parecer mais “alto astral” e “do bem” do que eu realmente sou. Sempre numa boa, sem grandes paixões,  nem ódios, 90% neutra…nem ácida, tampouco alcalina. Aos olhos dos outros eu pareço estar mais no médio. Estóico

Mas estóicos aceitam, vão na corrente das adversidades, não se entregam à paixões, filtram o mundo a sua volta, ponderam, esperam a hora certa mesmo que a morte chegue antes dela.

Eu não sou estóica. Não me dou por vencida, insisto muito mais do que devia e fatalmente me machuco. Me apaixono e me imagino apresentando pra família e quebro a cara. Sou cativada, abro-me e tomo na cara.

Eu choro

de vez em quando, em público

nesse momento eu surpreendo todo mundo

Mas, sabe o que é?

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Não curto o estoicismo

 

A primeira vez (ou “Às vezes, eu precisava de um coma”) Junho 20, 2009

Arquivado em: Memória, Olhando o mundo — Beija-flor @ 2:39 am

Um dia estranho, depois de uma noite (futebolística, diga-se) estranha, de uma manhã fracassada, dei aquele passo que todo pseudo-cult-semi-depressivo precisa dar: fui ao cinema with me and myself…

Aproveitei uma promoção que eu jurava ter acabado – tão bem  anunciada que nem no site do cinemark eu achei- e paguei míseros 3,50 pra adentrar uma daquelas salas bordô do Shopping Santa Cruz. 10 minutos antes, solidão devidamente camuflada entrei no cinema linda e morena pra dar de cara com a imensidão de cadeiras vazias. Saí pra comprar umas balinhas e ver se chegava mais alguém.. e quando voltei havia um aumento exponencial de 3 ocupantes: um casal que descobriu que podia pagar mais barato pra se amassar no cantinho da última fileira e um moço tão perdido e solitário quanto essa que escreve. Bem acomodada, começo a ouvir a agradácel rádio trama ESPECIAL NOEL ROSA… Depois de muito hesitar, liguei pro vovô pra contar desse momento mágico, mas nem ele pôde me atender. Fadada à solitude, deixei que as luzes se apagassem sem demora e comecei a ouvir os estalinhos da antiga fita espanhola – NÃO ERA DIGITAL, DUR.

(E falemos do filme, então)

Apesar de ser uma recém iniciada na obra do espanhol, ouso dizer que Almodóvar está para o cinema assim como o Chico está para a música: sapiência para retratar, falar, entender e tocar o feminino.

E o começo é como tudo, tem sempre um antes.  Não há mera apresentação de personagens que passarão a se envolver em uma trama, e sim cada qual com sua própria trama, que se entremeia em outras e se faz viva.

E são vários os deleites. As referências a nossa cultura tropical, abençoada por Deus e bonita por natureza enchem de patriotismo até meu coração que se empolga mais com o Egito na copa das confederações.

Elis Regina cantando “Por toda a minha vida”. Uma mulher,toureira e, óbviamente, um touro – ballet de vermelhos e olhares, planos de arrepiar.

E como se fosse pouco ainda tem o Caetano que dá as caras lá por Madri só pra deixar “os pelos pra cima”com Cucuru de Paloma.  A contribuição brasileira ainda vai a citação de Tom Jobim “e amor é a coisa mais triste quando se desfaz”.

E as mulheres de Almodóvar são sempre encantadoras, fortes e labirínticas como as do mundo real, que precisam ser ouvidas, e acariciadas, e compreendidas, precisam de atenção e da certeza de sempre serem importantes nas sábias palavras de Benigno, porque os homens – uns mais, outros menos” hombres” – não passam despercebido por essa trama.

E tem o coma, e a profundidade, e a morte que faz com que se deixe assuntos eternamente pendentes. E tem o falar, o ouvir, o dividir, o sentir e o dançar… como também tem o chorar.

O amor servil e débil de Benigno, a pendência de Lydia, a fuga/busca aflitiva de Marco, a rotina urbana, a arte, tudo o que o filme reflete de mais humano ecoava dentro de mim de uma maneira que não se pode expressar. Pelo menos não aos 16 anos e com tão pouca cultura…

Retiro-me com um humilde “vale a pena”

Pelo sim, pelo não deixo a dica de Benigno: Hable con ella.

 

Libertadores Abril 10, 2009

Arquivado em: Momento, Olhando o mundo — Beija-flor @ 2:59 am

É meus amigos, um jogo bizarro

Vale reportar que o São Paulo não estava num grande dia, mas se não há insipração, há BORGES! E seja por lance duvidoso, seja por biquinho de chuteira, o cara marcou! 2×1, e triste é explicar o 1

ERRO CRASSO DO EXPERIENTE, ESCALDADO, COMPETENTE ROGÉRIO CENI… ainda bem que eu não ví ao vivo, seria dificil do estômago aguentar…

Depois ainda teve a marotice de Dagoberto… chegou rasgando o Diego DE Souza (não dava pra perder prum cara com esse nome), tinha tudo pra tomar o vermelhão (já tava com o amarelo). MAs sacomé, confusão em torno do juiz, nego pressionando.  Acabou  que o Dieguito foi expulso e o Dagoberto ficou na miúda alí, sem cartão e com cara de menino que pulou o muro da escola e não foi pra diretoria…

45 mil no Morumba
3 pontos na conta

“Oitavas” garantida

é, tricolor e libertadores: um caso sério, antigo e apaixonante

 

Singela homenagem Abril 5, 2009

Arquivado em: Música, Olhando o mundo — Beija-flor @ 6:24 pm

15 anos sem Kurt Cobain. Não sou a maior fã de Nirvana mas há de se reconhecer a importância desse nome.

Achei o vídeo realmente bonito, e atire a primeira pedra quem não chora de saudade de alguém ouvindo “Seasons in the sun” ou “Love in the afternoon”

 

Minha visão de liberdade e respeito Março 13, 2009

Arquivado em: Olhando longe, Olhando o mundo — Beija-flor @ 12:28 am

Catequizadores são um porre

Uso “Catequizadores” pra me referir a qualquer tipo de pessoa que goste de impôr sua visão de mundo às outras. Na minha opinião, destacam-se catequizadores vegetarianos e ateus.

Admiro muito os vegetarianos até gostaria muito de introduzir essa “filosofia de vida” a minha alimentação porque gosto de animais e de vez em quando até me sinto meio cemitério por dentro. Não sou radical, não me mato em rodízios e nos últimos tempos diminui drasticamente meu consumo de carnes de todo o tipo, portanto respeito os vegetarianos. Mas tem coisa mais porre do que aquele amigo que parou de comer carne há 3 semanas e começa a dizer: “Isso vai ficar apodrecendo dentro de você durante X dias. Já imaginou que poderia ser o seu cachorro? Se você ama uns, porque come outros?”

Será que ele realmente acreditam que com essa chatologiaeles vão conseguir fazer com que alguém abra mão de uma bela picanha, um frango oriental ou um sashimi?!  Mepoupemeconomize….

Respeito os Ateus. Eu mesma acredito em alguma coisa que eu não sei direito o que é, e não me defino como seguidora de religião alguma. Sinceramente não entendo qual é o mal de se apoiar internamente em qualquer tipo de crença que te faça mais forte frente aos problemas, mais confiante e esperançoso… E às vezes eu acho que não existe religião mais fervorosa que o ateísmo. Já viu alguém mais engajado do que um ateu?! Ele quer provar que Deus não existe, ele quer te convencer que Deus não existe, ele quer que você o ajude a provar que Deus não existe…

Vocês viram as campanhas dos ônibus ateus?! Começaram em Londres, apareceram na Espanha. Tá montada a guerra santa: dinheiro, tempo e energia gastos pra não fazer ninguém mudar de opinião e só reafirar a convicção dos mais convictos… Vai saber, né?! Se eu tivesse tempo e dinheiro disponíveis eu prefiria fazer curso, viagem, trabalho voluntário… mas cada um acredita no que quer né?! Só não me venha encher o saco porque sábado tem churras, à noite tem balada, final de semana que vem tá cheio e nas provas seja o que Deus quiser!

(E faltam DEZ dias pro encontro acontecer!!)

 

Aline Janeiro 16, 2009

Arquivado em: Olhando o mundo — Beija-flor @ 5:53 pm

Esquecí que eu queria falar desse fiasco global. O especial mostra o desespero da globo de criar pop-indie-alt-cult-hype-teen-tudo-junto-e-misturado!

Tudo bem, como eu já disse, alternativos são o xavão em pessoa: a série passar na augusta , as roupinhas, as baladinhas – isso era inevitável. Mas o resto, puro esteriótipo caricatural e pobre… Jovem, vagabundo, ninfomaníaco, sem escrúpulos, vazio: esse é, segundo a globo, o perfil do cara que curte o que não é “super mainstream”… dançar amy winehouse foi o fim, o fim mesmo… irgh

 

êêê sou mais indie que você Dezembro 13, 2008

Arquivado em: Olhando o mundo, Opinativa (coisa séria, ou não) — Beija-flor @ 1:16 am

Já faz um tempo que a moda é ser alternativo: a banda do oeste da Turquia, a cara blasé que ninguém fez, o ângulo inédito do copo do starbucks e o velho clichê da adolescência-abastada-brasileira,  que de tanto querer ser diferente fica tudo igual.

Impressionante, não faz tanto tempo que eu também ouço as bandas que ninguém ouve, e frequento a paulista com seus center 3, livraria cultura, itau cultural… augusta e suas lojas “descoladas” e até  mesmo o Ibira e suas rodas de violão. Essa tribo/classe/moda alternativa nasceu restrita e se tornou repetitiva: As camisetas nonsense, os acessórios do mercado mundo mix, as pessoas… esse padrão de comportamento não poderia se tornar tão popular quanto é hoje, não tem repertório pra mais de um mês de inéditas.

Para dificultar ainda mais a vida dos tais indies, apareceu a Dona Globo. Na tentativa de recuperar o público jovem, tão rendido à internet, ela passou a incluir muito indie/alt/cult/classic/descoladinho/punk rock nas suas trilhas sonoras: As novas do Coldplay, Peter Bjorn & John e até Regina Spektor em horário nobre… Beirut, Black Sabbath, Jimi  Hendrix e Sex Pistols em Capitu.

E agora, comofas?! Os indies que se achavam cheios de cultura por conhecer rock antigo, do que irão se vangloriar? De que valeram as madrugadas perdidas vasculhando páginas de myspace do mais bizarros e longínquos países se agora todo mundo põe “Let the seasons begin” de legenda em foto de orkut?! E agora que todo mundo sabe o que é um ukulele qual vai ser o luxo do conhecimento musical de poucos?!

Eu, sinceramente, não acho muito ruim. É pior quando pegam bandas brasileiras, que acabam sendo engolidas por gravadoras que transformam música boa em lixo com grande aceitação de massa. Não acredito que a Regina Spektor colocaria seu estilo a perder porque vai querer ser pop num grandes país exótico “do lado debaixo do Equador”…

Mas poxa dona Globo, não corta o barato dos indies não!! Daqui a pouco vai ter nego aprendendo a falar eslavo, grego e aprendendo uns dialetos africanos só pra êêê – ser mais indie que você!