“Deve ser apaixonite, obsessão, coisa que o valha. Até joguei o nome dele no Google”
Há de se ter um álibi dos bons, dos universais: ele não usa o facebook! Até tem, mas é lacônico em informações, interações, raciona amigos e poupa comentários. Confessou, é verdade, que esquadrinhou minha página já. Ele me tem na mão, ou melhor, no mouse.
Faz parte das nossas diferenças, um choque de gerações. Ele é do tempo que a gente se telefonava. Ambos trabalhamos, temos compromissos, carteira de motorista, reuniões, saudades…. mas a diferença grita: eu twitto, cutuco, curto e resolvo 80% das situações de comunicação distribuindo 160 caracteres com o polegar apertando uma tela que responde com previsão de palavra, ele telefona. Até nos mais impensados atos, nossa diferença: à meia noite, uma frase com demasiado carinho e erros de digitação revela a carência etílica… cinco horas depois, a resposta vem em desesperadas ligações que deviam ser barradas pelo bafômetro. Quem quer falar numa hora dessas? Ele, que ignora sms.
