Codinome Beija-flor

amplificando segredos de liquidificador

Tradição Dezembro 25, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 2:24 am

“Então é Natal”

Pra mim, a mais protocolar das festas. Minha posição de neta única talvez seja determinante pra essa visão tão peculiar de Natal: muito além de 2 perus e o dobro de presentes, essa condição faz com que a guerra se instaure entre papai e mamãe. Além de tudo, hoje em dia não há crianças na família… portanto a extensão da festa já não é a mesma : eu já não toco flauta e também ninguém precisa de malabarismos mirabolantes pra fazer o presente do papai noel ir parar debaixo da árvore. Também não há caça ao presente (eu sei que isso é coisa de Páscoa, mas foi a alternativa que mamãe encontrou pra deixar o natal lúdico depois do meu agnosticismo precoce).

Hoje em dia ninguém tem mais saco não, a vida é assim. Pouco a pouco, vou caindo na tradição de achar a data mais depressiva do ano, sim. Muita lembrança, muito saudosismo, muita reflexão e muuuuito protocolo. O estresse de comprar presentes “x” pra família inteira, sem conseguir ter o sincero objetivo de agradar, a romaria pelas casa das tias, com a “pré-disposição” de agradecer aqueeeele  kit de sabonete que você tava precisando e o apetiiite pra comer o quinto peru da semana. O décimo pedacinho de panetone não faz mal a ninguém.

Também ví cenas fortes e que não combinam com Natal… sei lá, sei lá. Quero que venha looogo 2010.

Espero estar mais animada no reveillon!

 

=/= Dezembro 17, 2009

Arquivado em: Memória, Momento — Beija-flor @ 2:30 am

Dezembro é um mês de posts retrospectivos. Meu impulso natural foi escrever sobre as músicas que maracaram o ano. Parecebí impossível. E mais que isso, percebí que esse ano foi mais especialmente marcado por pessoas.

Não é que antes eu fosse uma misantropa amarga, mas esse ano muitas pessoas surgiram, surpreenderam-me, fizeram-se importantes como nunca poderia imaginar.

Algumas eram “pessoas” e tornaram-se de fato amigas, outras ressurgiram amigas, outras mesmo sendo apenas “pessoas” conseguiram mudar meu dia, minha semana, mudar meu ano a ponto de estarem aqui me rendendo um post.

Pessoas que parecem ter surgido tarde demais, e me fazem querer estar errada sobre isso -assim como estive nos últimos anos em não percebê-las-, pessoas que surgiram no timing perfeito e carregam consigo essa plaquinha de “futuro promissor”.

Pessoas que não precisam existir com tanta intesidade, pois basta um encontro casual esporádico pra me deixar pisando leve, pessoas que talvez nem saibam que eu exista, pessoas virtuais, pessoas “ideais”, pessoas a granel,  a la carte.

Não sei se foi uma disposição extra, ou desespero da minha parte. Talvez a conjunção dos astros ou a vontade de me encontrar nos outros. O destino de um, o dente do ciso, o amigo comum, o olhar indeciso, a vontade de dizer, a iniciativa, o olhar querendo ver, a memória mais viva… as tantas justificativas e os carismas que encontrei.

Sei que meu ano foi assim, cheio de gente. E que assim seja, assim sendo, e continue

 

Anti-lirismo Dezembro 7, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 9:11 pm

“É preciso algo mais do que simplesmente ter um tema, uma inspiração ou um sentimento para ser poeta”

Eu não faço mais poesia

Se nunca fui poeta, antes ainda havia tentativa

Mas hoje, me perdí de mim

“Perdí” não, que é passado pontual, mas…

Fui me perdendo

Entre a dureza enciclopédica

E a socialização pasteurizada

Entre beijos e abraços vazios

Entre fórmulas e verdades universais

Eu fui vazando de mim

Escorrí entre as estações de metrô que percorrí

As duvídas que tive

As paisagens que conhecí

E os braços que me tiveram

Perdí a graça

Perdí a cor

Todas as liras de todos os anos.

Há de ser hora de me achar, de me juntar as pouquinhos.

Talvez , nesse natal importado, o Papai Noel de casaco de neve não deixe a minha essência derreter e a entregue de volta no calor registrense.

Talvez seja hora de começar esse “novo ano”, que vem de um calendário mais vazio do que eu agora. Hora de vestir branco, viajar, parar no trânsito, consumir, fazer promessas irrealizáveis e contagem regressiva, dinamizar  a economia pós crise, comer lentilha, soltar fogos como em mais uma reedição de ano novo.

Talvez seja o momento de me reencontrar em mim sendo outra, já mais madura, já mais mulher, já menos poesia

Por enquanto, estou vazia.

 

Desabafo Novembro 27, 2009

Arquivado em: Momento, Olhando longe, Olhando o mundo — Beija-flor @ 12:42 am

Não sei explicar, mas sinto um peso novo….

Não é mais lição de casa, é auto-estudo.

Não é mais “passar de ano”, é a vontade de estar na faculdade que -acho que- eu quero.

Não é mais minha mãe me mandando comer direito, dormir cedo,  é a minha qualidade de vida.

Não é um compromisso, é o medo de frustar expectativas alheias.

Não é mais precisar do outro pra viver, e sim perceber os reflexos dele em mim…ainda que de longe.

Não é mais o cumprir as regras dos outros, é saber jogar com as minhas.

Acho que  isso é “crescer”, ouso dizer que isso seja “amadurecer”.  Tomar cosciência do peso e da medida dos meus atos e saber que, antes de tudo, sou eu o principal alvo e o único agente de cada um deles. Espero aprender a lidar melhor com isso dia após dia, paulatinamente. Afinal deve ser isso que chamam de “vida” nas rodinhas de gente grande.

“Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido.” Caio F. Abreu

 

Desafio às leis da física Novembro 10, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 10:13 pm

Mamãe entende mais da vida do que Newton, e por isso já tinha me alertado: “não fica esperando nada”.

Eu mesma, quis me convencer de que não ia esperar nada em troca do que fiz. Me conheço bem, e quase desistí de te fazer a bendita surpresa, só pra não me decepcionar. Mas hei de ser esse eterno retrato em branco e preto. Fui lá te desafiar, tendo respaldo na física.

Toda ação gera uma reação, não é assim?! Não pra você.

Talvez, vá,  um choque elástico com uma tremenda perda de energia. Não é que eu cobre, mas eu esperava, sei lá…

Não nego, fiquei feliz com aquele seu meio sorriso sincero, apesar de lacônico. Valeu a pena, espero.

 

Viver bem é… Novembro 8, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 6:23 pm

Aiai, escolhas boas que a gente faz da vida.

Escolhí o sol no sábado. Ao invés de morrer estudando, peguei um metrô e um ônibus e me coloquei a andar entre antiguidades na Benedito Calixto. Não dispensei uma boa companhia conhecida pra me acompanhar e se perder comigo entre os olhares indies de belos barbadinhos escondidos atrás de seus Wayfarrers.

Entre o som e o consumo -surpresa- escolhí o primeiro. Entre muito oléo de fritura, pastel, caruru e outras comidinhas de feira estávamos nós ouvindo chorinho do bom tocado por uma banda simpatissíssima de vovozinhos afinados e moçoilas graciosas.

Escolhas que fazem da gente: de repente, simpáticos senhores puxam papo. Como o primeiro não é tão senhor nem tão simpático, a gente evita de leve. O segundo, que parece ter saído de uma novela do Manoel Carlos é educado de dar gosto, e começa aquele papo delicioso.

Engraçado como isso não acontece com outras pessoas. Eles são de outra época, e isso não é uma crítica. Eles são do tempo que se conversava na rua sem medo, em que a socialização não era virtual. Eles perguntam pra gente se a gente já “olha pros meninos jogando futebol e escolhe um pra tirar do campo e ficar junto”. Eles têm um charme, um jeito de ver a vida tão mais bonito, tão mais chorinho, tão mais samba.

E quando me escolhem, me tiram pra dançar. Aí eu rebolo pra acompanhar o passo desses bambas de gafieira que me dão a honra da dança, da atenção e do carinho sem intenção além do fazer amizade, do dividir, do aproveitar uma tarde de sol e chorinho.

Imagine se eu tivesse escolhido ficar em casa?

 

Receio Novembro 3, 2009

Arquivado em: Memória, Momento — Beija-flor @ 12:46 am

Começo aqui um dos posts mais desejados, planejados e difícieis desse blog. Uma homenagem quase tardia a uma das pessoas dignas dela que conheço.

Talvez eu não tenha motivos para tanto medo. Talvez tenha motivos demais. Mas é que, é que…

Tem pessoas que merecem ser impressionadas. Tem homenagens que precisam ser feitas com muito cuidado, pois só assim cumprirão sua função.

Essa pessoa eu adimiro há tempos,  me identifico e, por ela, às vezes, manifesto uma idolatria quase ridícula. A importância dela nesess últimos quatro anos  faz com esse post seja mais que um desafio, um dever moral.

Deveria começar … pelo começo.  O primeiro traço adimirável era mesmo “profissional”.  Afinal, bons professores marcam nossas vidas. Bons professores que nos fazem entender matérias difíceis marcam mais. Mas professores extraordinários te surpreendem. E foi isso que ele fez quando disse “lembro da nota dela porque ela é são paulina”. Poxa, todo mundo dizia que nesse colégio eu não passaria de um número e ele me vem com essa logo no começo do ano!  Já achava o cara demais.

E a partir de então ele já era um professor querido. Mas eu, tendo alguma auto-crítica e uma timidez de tatu, nunca fui de super ficar fazendo social com professor… demorou pra descobrir que além de torcer pro melhor time do mundo, ele também curtia fórmula 1 e jazz. E no fim do ano- de TETRA, aliás- era um ídolo. Pena que eu ia acabar mudando de professor.

Não tão cedo, pois no primeiro colegial lá estavam os powerpoints de álgebra , a atenção e competência dele salvando a vida dessa humanóide. Ano de PENTA aliás, em que ele deu aula com faixa de campeão antecipado e tudo. Uma grande figura!

No segundo colegial já não tive a mesma sorte. Mas tudo bem, ainda nos encontrávamos no corredor e pudemos comemorar o HEXA!

No último ano, O CAMPEÃO VOLTOU!! E as aulas de álgebra eram novamente precedidas de comentários da rodada. Mas último ano é sempre pior né?! Acabei descobrindo que o cara foi ao show do Radiohead, adora Jorge Drexler e tem um blog sensacional no qual comenta sobre todos os filmes que eu quero ver na minha existência.  Sim,  idolatria ridícula! Sempre lá, puxando um papinho…tentando o absorver tudo o que podia daquele cara tão legal, com uma vida tão legal,  com uma postura tão legal.

Mas isso tudo não passa de um pretexto pra justificar uma admiração por coisas muito mais importantes. Uma pessoa em quem eu realmente pretendo me espelhar, que me faz acreditar de que dá pra ser realista e ter alguns ideais. Alguém que dialoga comigo sem que eu me sinta uma criança tutelada só porque ele é meu professor . Alguém que sabe como fazer a diferença em seu ambiente, seja lá qual for.  Sei lá… ele faz tanta coisa extraordinária e faz parecer tudo tão natural.

Agora acabou mesmo. Não adianta achar que ano que vem ele vai resolver dar aula na Cásper Líbero (apesar de não duvidar da competência dele para tal), que não rola. Só espero mesmo encontrá-lo por aí:  nas salas de cinema da paulista, nos jogos do São Paulo e nos corredores do Bandeirantes ,quando a saudade daquela gaiolinha  de tiojo aparente apertar.

Eu sei que vou lembrar dele sempre, com o mesmo carinho e adimiração que tenho agora.

Receio ter soado puxa saco, exagerada, infantil e etc. Mas quando se trata de Milton Sgambatti, não me contenho, não.

 

Sobre o tempo Outubro 4, 2009

Arquivado em: Momento, Opinativa (coisa séria, ou não) — Beija-flor @ 10:30 pm

Ele tem me faltado. O pobre blog ficou abandonado. Essa falta me incomoda. Quando incomoda eu escrevo.

O último post já tinha a ver com o tempo, é bem verdade. Mas agora o approach é outro. Daquela época em que a vida parece uma bomba relógio. Duas semanas praquilo, 2 meses pra isso, 24 horas, 5 minutos, 2 décadas.

Plano, vaidade, vontade, compromisso, desejo, vida social, agenda, tic tac, tic tac, tic tac. O tempo parece escorrer pelas mãos , como já diria Lulu. Muita pressa, otimização,prazos, metas, pouco sono, pouco ócio. Vivendo tudo que há pra viver, mas sem me permitir. Não me permito um dia sem estudar, não me permito faltar no churras, não me permito deixar passar AQUELA oportunidade. Eu não me permito? Os outros não me permitem, o sistema não me permite, os bons costumes não me permitem. Assim, com preguiça e botando a culpa nos outros , eu vou fingido me fazer, deixando que me façam.

Atire a primeira pedra aquele que não chega no domingo programando a semana. O futuro é necessário! Mas junto com ele vem o medo, a falha e todo o resto que me desmotiva. Justo eu, que ainda na semana passada me queixava de AINDA ter 16, AINDA estar no colégio e PERDER aquela oportunidade.

Essa ansiedade de abraçar o mundo aperta o coração.

Entrou por uma porta, saiu pela outra. Quem quiser que conte outra

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TOP 10 – AFLIÇÕES CRONOLÓGICAS

Tempos Modernos – Lulu Santos

Sobre o Tempo – Pato Fu

Amigo do Tempo – Mombojó

Paciência – Lenine

Tempo no Tempo – Mutantes

Senhor do Tempo – Caetano Veloso

O Tempo não Para – Cazuza

Tempo Perdido – Legião Urbana

Tempo sem Tempo – José Muiguel Wisnik

Meu mundo é hoje – Paulinho da Viola

 

Do ócio necessário Setembro 16, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 10:55 pm

Depois da tempestade, nada melhor que uma bonança, ou melhor, um dia de sol.

Coisas que nos fazem pensar em “cresimento”, “amadurecimento”:  o valor do tempo livre.

Sim, ontem foi uma tragédia grega mesmo: 7 horas de estudo, um terrorzinho, A procupação. Mas passa mesmo, juro que passa. E quando passa é bom!

Necessidade de passar uma tarde estirada no sofa, do lado dos amigos, revirando câmeras analógicas na internet. Dando risada, comendo pão de queijo, rolando de rir.

Tenho muita necessidade disso. Gosto de crescer, estar viva, viver cheia. Mas às vezes é bom fingir que a gente para o tempo, freia aqueles milhões de contagem regressiva, passa um dia sem ambições, registra tudo no fim como uma enumeração barata que faz bem!

 

Privilégio Agosto 31, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 11:07 pm

Foi há pouco que eu descobri que boas companhias são um privilégio. Não me refiro necessariamente aos grandes amigos, aos belos, aos inteligentes: todos eles podem ser boa companhia, mas tais características não garantem nada, assim como a ausência delas também quer dizer muito pouco.

Aprendí a fazer minha vida cheia, mais de boas companhias do que de bons amigos. Pois estes podem ser mais importantes, mas na rotina são aqueles que me fazem bem e não me dão trabalho.

Um almoço, um social no corredor, um cinema, um show… tudo pressupõe boas companhias. Conheço muitos que sabem ser, mesmo não sendo grandes amigos. E, pasmem, tenho grandes amigos que não me são “assim uma brastemp” como meus companheiros.

E que me perdoe o Rei, mas eu até dispenso Um milhão de amigos, se acaso puder encontrar minhas boas companhias espalhadas por aí.