Codinome Beija-flor

amplificando segredos de liquidificador

=/= Dezembro 17, 2009

Arquivado em: Memória, Momento — Beija-flor @ 2:30 am

Dezembro é um mês de posts retrospectivos. Meu impulso natural foi escrever sobre as músicas que maracaram o ano. Parecebí impossível. E mais que isso, percebí que esse ano foi mais especialmente marcado por pessoas.

Não é que antes eu fosse uma misantropa amarga, mas esse ano muitas pessoas surgiram, surpreenderam-me, fizeram-se importantes como nunca poderia imaginar.

Algumas eram “pessoas” e tornaram-se de fato amigas, outras ressurgiram amigas, outras mesmo sendo apenas “pessoas” conseguiram mudar meu dia, minha semana, mudar meu ano a ponto de estarem aqui me rendendo um post.

Pessoas que parecem ter surgido tarde demais, e me fazem querer estar errada sobre isso -assim como estive nos últimos anos em não percebê-las-, pessoas que surgiram no timing perfeito e carregam consigo essa plaquinha de “futuro promissor”.

Pessoas que não precisam existir com tanta intesidade, pois basta um encontro casual esporádico pra me deixar pisando leve, pessoas que talvez nem saibam que eu exista, pessoas virtuais, pessoas “ideais”, pessoas a granel,  a la carte.

Não sei se foi uma disposição extra, ou desespero da minha parte. Talvez a conjunção dos astros ou a vontade de me encontrar nos outros. O destino de um, o dente do ciso, o amigo comum, o olhar indeciso, a vontade de dizer, a iniciativa, o olhar querendo ver, a memória mais viva… as tantas justificativas e os carismas que encontrei.

Sei que meu ano foi assim, cheio de gente. E que assim seja, assim sendo, e continue

 

Receio Novembro 3, 2009

Arquivado em: Memória, Momento — Beija-flor @ 12:46 am

Começo aqui um dos posts mais desejados, planejados e difícieis desse blog. Uma homenagem quase tardia a uma das pessoas dignas dela que conheço.

Talvez eu não tenha motivos para tanto medo. Talvez tenha motivos demais. Mas é que, é que…

Tem pessoas que merecem ser impressionadas. Tem homenagens que precisam ser feitas com muito cuidado, pois só assim cumprirão sua função.

Essa pessoa eu adimiro há tempos,  me identifico e, por ela, às vezes, manifesto uma idolatria quase ridícula. A importância dela nesess últimos quatro anos  faz com esse post seja mais que um desafio, um dever moral.

Deveria começar … pelo começo.  O primeiro traço adimirável era mesmo “profissional”.  Afinal, bons professores marcam nossas vidas. Bons professores que nos fazem entender matérias difíceis marcam mais. Mas professores extraordinários te surpreendem. E foi isso que ele fez quando disse “lembro da nota dela porque ela é são paulina”. Poxa, todo mundo dizia que nesse colégio eu não passaria de um número e ele me vem com essa logo no começo do ano!  Já achava o cara demais.

E a partir de então ele já era um professor querido. Mas eu, tendo alguma auto-crítica e uma timidez de tatu, nunca fui de super ficar fazendo social com professor… demorou pra descobrir que além de torcer pro melhor time do mundo, ele também curtia fórmula 1 e jazz. E no fim do ano- de TETRA, aliás- era um ídolo. Pena que eu ia acabar mudando de professor.

Não tão cedo, pois no primeiro colegial lá estavam os powerpoints de álgebra , a atenção e competência dele salvando a vida dessa humanóide. Ano de PENTA aliás, em que ele deu aula com faixa de campeão antecipado e tudo. Uma grande figura!

No segundo colegial já não tive a mesma sorte. Mas tudo bem, ainda nos encontrávamos no corredor e pudemos comemorar o HEXA!

No último ano, O CAMPEÃO VOLTOU!! E as aulas de álgebra eram novamente precedidas de comentários da rodada. Mas último ano é sempre pior né?! Acabei descobrindo que o cara foi ao show do Radiohead, adora Jorge Drexler e tem um blog sensacional no qual comenta sobre todos os filmes que eu quero ver na minha existência.  Sim,  idolatria ridícula! Sempre lá, puxando um papinho…tentando o absorver tudo o que podia daquele cara tão legal, com uma vida tão legal,  com uma postura tão legal.

Mas isso tudo não passa de um pretexto pra justificar uma admiração por coisas muito mais importantes. Uma pessoa em quem eu realmente pretendo me espelhar, que me faz acreditar de que dá pra ser realista e ter alguns ideais. Alguém que dialoga comigo sem que eu me sinta uma criança tutelada só porque ele é meu professor . Alguém que sabe como fazer a diferença em seu ambiente, seja lá qual for.  Sei lá… ele faz tanta coisa extraordinária e faz parecer tudo tão natural.

Agora acabou mesmo. Não adianta achar que ano que vem ele vai resolver dar aula na Cásper Líbero (apesar de não duvidar da competência dele para tal), que não rola. Só espero mesmo encontrá-lo por aí:  nas salas de cinema da paulista, nos jogos do São Paulo e nos corredores do Bandeirantes ,quando a saudade daquela gaiolinha  de tiojo aparente apertar.

Eu sei que vou lembrar dele sempre, com o mesmo carinho e adimiração que tenho agora.

Receio ter soado puxa saco, exagerada, infantil e etc. Mas quando se trata de Milton Sgambatti, não me contenho, não.

 

Estarrecida Agosto 14, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 3:34 am

eu te amei muito.

Nunca disse, como você também não disse, mas

acho que você soube.

Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar.

Pena também que a gente se envergonhe de dizer,

a gente não devia ter vergonha

do que é bonito.

Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo,

e que então tudo vai ser mais claro,

que não vai mais haver medo nem coisas falsas.

Há uma porção de coisas minhas que você não sabe,

e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi

de você e voltei e tornei a fugir.

São coisas difíceis de serem contadas,

mais difíceis talvez de serem compreendidas

— se um dia a gente se encontrar de novo, em amor,

eu direi delas, caso contrário não será preciso.

Essas coisas não pedem resposta nem ressonância

alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor

e ternura que eu tinha — e tenho — pra você.

Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém,

como você existe em mim.”

Nós pulamos de um livro do Caio F. Abreu

É como se alguém entendesse minha história melhor que eu.

 

(1915-2009) Agosto 14, 2009

Arquivado em: Memória, Música — Beija-flor @ 12:07 am

Sim, o Les Paul morreu. Aquele simpático senhor que tanto fez pelos rock, pela gibson e pelos guitarristas.

É difícil ficar me delongando sobre a história desse ultra pioneiro gênio fodão e etc, não sei por onde começar, nem se estou a altura de escrever sobre tal . Mas ele merece todas as homenagens rock’n'roll desse mundo.

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O amor é importante, porra. Julho 30, 2009

Arquivado em: Memória, Momento, Olhando o mundo — Beija-flor @ 2:43 am

Hoje eu tive vontade de escrever sobre o  Sarney,  sobre a imoprtância da internet para os protestos iranianos… assuntos densos cerebrais e importantes.

Olho meus arquivos e me vejo politizada, ácida e cheia de razão e opinião. Ela foi rareando, apesar de continuar existindo… acompanho os jornais, vejo as notícias, contínuo indignada mas não escrevo.

Um blog egocêntrico também não é bom, mas ainda é sentimento. Acho bom que sentimento circule, ganhe vida. Quem sabe alguém se identifica, quem sabe alguém sinta igual ou diferente.

Blogueiro escreve pra ser lido, senão estava tudo salvo no word.  Fico feliz se for lida e despertar sentimentos, ainda que seja repulsa. Acho que meu objetivo será mais facilmente alcançado se eu despejar minha memória afetiva ao invés das cobras do PMDB. Política choca (rara e momentaneamente), desabafo toca.

Agora eu tenho paz e tempo pra falar menos de mim. Talvez retome a politização… mas antes de tudo, uma nota pessoal pra mim mesma:

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O que vale é gente Julho 29, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 12:14 am

Findo o recesso, volto a escrever. Fiz muita coisa no tempo que estive longe, mas quero falar de um tempo específico.

Foram 7 dias, intensos, insanos, surreais. Ninguém se preocupava, ninguém se estressava…vivíamos.

“we’re just dancing, we’re just hugging,
singing, screaming, kissing, tugging”

Eu cheguei a duvidar de quanto eu ia aproveitar a viagem, afinal tô bem longe do perfil axé, cachaça e putaria . Fiquei aflita de ver que o pacote incluía coisas como “churras com pagode” e “araketu”. Pus na minha cabeça que não era uma viagem, mas sim um rito de passagem e eu não me arrependeria, nunca estive tão certa.

Fiz amizades, refinei amizades, confirmei amizades e dediquei o tempo que cada uma delas merecia. Viajar com os amigos é fantástico. Com 240 conhecidos, sendo uns 30 amigos, é indescritível.

Muito mais que as baladas, os esquentas, os concursos de dança (rainha do tchuco, mal).O  que  fica é o carinho, o cuidado, as andanças na praia, a hora da montação pré-balada no quarto, o truco… o que vale é gente.

É difícil explicar o que se passa em porto seguro, mas todo mundo gosta: namorados fiéis (e os nem tanto), as santinhas (que se mantem assim ou não), as baladeiras, as piriguetis (durrr) e até mesmo os nerds, roqueiros (esses se encontram, reconhecem, apaixonam)…

Não existe nada pra comparar 7 dias de balada, liberdade condicional,  café da manhã com cara de quem não dormiu, morangola e tudo mais que se passa por lá (uma certa censura nessa parte hehehe). Foi sensacional.

 

O tempo é relativo Julho 13, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 2:06 am

Eu demoro 12 horas pra me desapegar do mais fofo do universo, mas levarei uma vida pra cortar o cordão umbilical do mais escroto….

 

.Ju. Julho 2, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 1:22 am

Eu já escreví sobre ela, mas se há um pecado que vale pelo excesso é o tal do carinho pra ela.

A Ju é meiga e sabe ser, não é melada e não peca na pretensa perfeição:  desfila, de vez em quando, encantadores defeitos.ju

Caos de cores confortável, que alegra sem cansar. A Ju é toda amores e por isso, carinhos e por isso, ciúmes.

Um brilho de olhar sincero da espera constante pelo seu amor e pelos amigos. Ela espera e recebe, recebe e bem até quando não são amigos.

“Regininha enJuada”, eu rio, pois ela tem licença poética pra ser como é em tempo integral e cativar, e querer , e não querer.

Gosto afinado, opinião afiada, sentimentos cortantes – plenamente intensos, mesmo que devidamente abafados quando necessário.

Não sei se vale a pena me delongar nas letrinhas. Só queria registrar que a Ju é mesmo muito minha amiga. E eu gosto dela. E tenho lá os meus motivos.

 

A primeira vez (ou “Às vezes, eu precisava de um coma”) Junho 20, 2009

Arquivado em: Memória, Olhando o mundo — Beija-flor @ 2:39 am

Um dia estranho, depois de uma noite (futebolística, diga-se) estranha, de uma manhã fracassada, dei aquele passo que todo pseudo-cult-semi-depressivo precisa dar: fui ao cinema with me and myself…

Aproveitei uma promoção que eu jurava ter acabado – tão bem  anunciada que nem no site do cinemark eu achei- e paguei míseros 3,50 pra adentrar uma daquelas salas bordô do Shopping Santa Cruz. 10 minutos antes, solidão devidamente camuflada entrei no cinema linda e morena pra dar de cara com a imensidão de cadeiras vazias. Saí pra comprar umas balinhas e ver se chegava mais alguém.. e quando voltei havia um aumento exponencial de 3 ocupantes: um casal que descobriu que podia pagar mais barato pra se amassar no cantinho da última fileira e um moço tão perdido e solitário quanto essa que escreve. Bem acomodada, começo a ouvir a agradácel rádio trama ESPECIAL NOEL ROSA… Depois de muito hesitar, liguei pro vovô pra contar desse momento mágico, mas nem ele pôde me atender. Fadada à solitude, deixei que as luzes se apagassem sem demora e comecei a ouvir os estalinhos da antiga fita espanhola – NÃO ERA DIGITAL, DUR.

(E falemos do filme, então)

Apesar de ser uma recém iniciada na obra do espanhol, ouso dizer que Almodóvar está para o cinema assim como o Chico está para a música: sapiência para retratar, falar, entender e tocar o feminino.

E o começo é como tudo, tem sempre um antes.  Não há mera apresentação de personagens que passarão a se envolver em uma trama, e sim cada qual com sua própria trama, que se entremeia em outras e se faz viva.

E são vários os deleites. As referências a nossa cultura tropical, abençoada por Deus e bonita por natureza enchem de patriotismo até meu coração que se empolga mais com o Egito na copa das confederações.

Elis Regina cantando “Por toda a minha vida”. Uma mulher,toureira e, óbviamente, um touro – ballet de vermelhos e olhares, planos de arrepiar.

E como se fosse pouco ainda tem o Caetano que dá as caras lá por Madri só pra deixar “os pelos pra cima”com Cucuru de Paloma.  A contribuição brasileira ainda vai a citação de Tom Jobim “e amor é a coisa mais triste quando se desfaz”.

E as mulheres de Almodóvar são sempre encantadoras, fortes e labirínticas como as do mundo real, que precisam ser ouvidas, e acariciadas, e compreendidas, precisam de atenção e da certeza de sempre serem importantes nas sábias palavras de Benigno, porque os homens – uns mais, outros menos” hombres” – não passam despercebido por essa trama.

E tem o coma, e a profundidade, e a morte que faz com que se deixe assuntos eternamente pendentes. E tem o falar, o ouvir, o dividir, o sentir e o dançar… como também tem o chorar.

O amor servil e débil de Benigno, a pendência de Lydia, a fuga/busca aflitiva de Marco, a rotina urbana, a arte, tudo o que o filme reflete de mais humano ecoava dentro de mim de uma maneira que não se pode expressar. Pelo menos não aos 16 anos e com tão pouca cultura…

Retiro-me com um humilde “vale a pena”

Pelo sim, pelo não deixo a dica de Benigno: Hable con ella.

 

Que se sinta e não se entenda Junho 20, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 1:45 am

Pode ser muito estranho… Nos reencontramos depois de 6 (7?) anos, felícissimas por esse achado, mas sem poder falar de “saudade”.

Saudade é denso, é profundo.. é mais que memória carinhosa, é mais que presença em festa de aniversário. Isso conta, mas não dá saudade.

Desde então, nos vemos sempre que dá. Uma semana que falha é o bastante: saudade.

Não foram 7 anos, mas a palavra era essa. E nada me deixou mais feliz do que ouvir “ai que saudade” e saber que a recíproca era inteira e perfeitamente verdadeira.

Tá vendo? Esse negócio de sangue é balela… dei sorte que em alguma parte os nossos são iguais. As conversas, a cumplicidade, as coincidências incríveis nos tornam muito mais que primas. Primas ficam seis anos sem se ver e até desconfiam que não se reconheçam mais. Nós ficamos uma semana sem nos ver e cultivamos saudade.