Codinome Beija-flor

amplificando segredos de liquidificador

A primeira vez (ou “Às vezes, eu precisava de um coma”) Junho 20, 2009

Arquivado em: Memória, Olhando o mundo — Beija-flor @ 2:39 am

Um dia estranho, depois de uma noite (futebolística, diga-se) estranha, de uma manhã fracassada, dei aquele passo que todo pseudo-cult-semi-depressivo precisa dar: fui ao cinema with me and myself…

Aproveitei uma promoção que eu jurava ter acabado – tão bem  anunciada que nem no site do cinemark eu achei- e paguei míseros 3,50 pra adentrar uma daquelas salas bordô do Shopping Santa Cruz. 10 minutos antes, solidão devidamente camuflada entrei no cinema linda e morena pra dar de cara com a imensidão de cadeiras vazias. Saí pra comprar umas balinhas e ver se chegava mais alguém.. e quando voltei havia um aumento exponencial de 3 ocupantes: um casal que descobriu que podia pagar mais barato pra se amassar no cantinho da última fileira e um moço tão perdido e solitário quanto essa que escreve. Bem acomodada, começo a ouvir a agradácel rádio trama ESPECIAL NOEL ROSA… Depois de muito hesitar, liguei pro vovô pra contar desse momento mágico, mas nem ele pôde me atender. Fadada à solitude, deixei que as luzes se apagassem sem demora e comecei a ouvir os estalinhos da antiga fita espanhola – NÃO ERA DIGITAL, DUR.

(E falemos do filme, então)

Apesar de ser uma recém iniciada na obra do espanhol, ouso dizer que Almodóvar está para o cinema assim como o Chico está para a música: sapiência para retratar, falar, entender e tocar o feminino.

E o começo é como tudo, tem sempre um antes.  Não há mera apresentação de personagens que passarão a se envolver em uma trama, e sim cada qual com sua própria trama, que se entremeia em outras e se faz viva.

E são vários os deleites. As referências a nossa cultura tropical, abençoada por Deus e bonita por natureza enchem de patriotismo até meu coração que se empolga mais com o Egito na copa das confederações.

Elis Regina cantando “Por toda a minha vida”. Uma mulher,toureira e, óbviamente, um touro – ballet de vermelhos e olhares, planos de arrepiar.

E como se fosse pouco ainda tem o Caetano que dá as caras lá por Madri só pra deixar “os pelos pra cima”com Cucuru de Paloma.  A contribuição brasileira ainda vai a citação de Tom Jobim “e amor é a coisa mais triste quando se desfaz”.

E as mulheres de Almodóvar são sempre encantadoras, fortes e labirínticas como as do mundo real, que precisam ser ouvidas, e acariciadas, e compreendidas, precisam de atenção e da certeza de sempre serem importantes nas sábias palavras de Benigno, porque os homens – uns mais, outros menos” hombres” – não passam despercebido por essa trama.

E tem o coma, e a profundidade, e a morte que faz com que se deixe assuntos eternamente pendentes. E tem o falar, o ouvir, o dividir, o sentir e o dançar… como também tem o chorar.

O amor servil e débil de Benigno, a pendência de Lydia, a fuga/busca aflitiva de Marco, a rotina urbana, a arte, tudo o que o filme reflete de mais humano ecoava dentro de mim de uma maneira que não se pode expressar. Pelo menos não aos 16 anos e com tão pouca cultura…

Retiro-me com um humilde “vale a pena”

Pelo sim, pelo não deixo a dica de Benigno: Hable con ella.

 

Que se sinta e não se entenda Junho 20, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 1:45 am

Pode ser muito estranho… Nos reencontramos depois de 6 (7?) anos, felícissimas por esse achado, mas sem poder falar de “saudade”.

Saudade é denso, é profundo.. é mais que memória carinhosa, é mais que presença em festa de aniversário. Isso conta, mas não dá saudade.

Desde então, nos vemos sempre que dá. Uma semana que falha é o bastante: saudade.

Não foram 7 anos, mas a palavra era essa. E nada me deixou mais feliz do que ouvir “ai que saudade” e saber que a recíproca era inteira e perfeitamente verdadeira.

Tá vendo? Esse negócio de sangue é balela… dei sorte que em alguma parte os nossos são iguais. As conversas, a cumplicidade, as coincidências incríveis nos tornam muito mais que primas. Primas ficam seis anos sem se ver e até desconfiam que não se reconheçam mais. Nós ficamos uma semana sem nos ver e cultivamos saudade.

 

Foco Junho 14, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 8:58 pm

Eu vou comprar uma câmera de fotografar gente.

Ela só funciona ao ar livre  e gosta de vida, de movimento, de desordem.

Vou fotografar alegrias saturadas, gargalhadas de alto contraste, show ao cair da tarde,  pôr-do-sol escarlate.

Vou pedir uma pose ao meu casal de margarina preferido, minhas jaopnesinhas vão se multiplicar no filme e quem diria que minha menina poderia ficar ainda mais colorida! Vou dar saltos e piruetas, ampliar meus horizontes com 4 disparos em 2 segundos! Todo carinho multiplicado, tudo que valha a pena ser guardado, toda a brincadeira e memória.

Vou colocar a dramatização dos amigos em camadas, vou registrar as peripécias com a prima reencontrada, vou paparaziar toda a cachorrada, a guerrinha d’água da criançada e o baralho da velha guarda.

Vou deixar aqueles meninos voarem, com meus  clics a milhão, fotografar tudo que inspira esse quase-coração.

Porque meu coração gosta de vida, de movimento, de desordem.

http://microsites.lomography.com/supersampler/galleries/moveyoursubject/39

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E é lógico que vai ter foto mais difícil, tirada a muito custo e guardada com muito carinho. Vou tirá-la da carteira no baile da suadade e dizer:  “Tá vendo, botafoguense turrão? Mesmo sendo capitalista eu tinha mais de comunista que você… você nem sabia o que era uma Lomo!” E a gente vai brigar, como em todas as nossas histórias de melhor amigo.

 

Sentimento elíptico Junho 12, 2009

Arquivado em: Memória — Beija-flor @ 12:29 am

Somos muito sem sermos nada… Amamos demais sem saber ao certo o que amamos. Um sentimento muito forte, mas que depois de pasteurizado  perdeu o gosto, perdeu a cor, manchou nós dois e desbotou um só coração.

Somos grandes períodos simples, soltos e independentes.  Mas há uma coordenação ou até uma subordinação misteriosa, pouco clara. No msn não há preocupações com as regras de pontuação, sobram reticências. Ao vivo sobram pontos finais e falta pontuação emotiva.

Você? Voz passiva sintétissíma, um sujeito dos mais ocultos, muitas vezes inexistente. Fica difícil te classificar assim, tão distante, isolado por vírgulas.

E eu, sujeita tão paciente, acabei na sua vida como um advérbio deslocado  e perco minha intensidade até me tornar  uma conjunção, sem nenhum valor semântico nem sintático.

Vai ver que a raiz dos problemas tá aí….  Não é covardia, nem indiferença, nem  desamor. O único problema é que seu forte nunca foi gramática.

 

A amada Junho 11, 2009

Arquivado em: Memória, Poesia — Beija-flor @ 8:08 pm

você é aquela pra quem eu queria escrever um poema,
mas me faltam as palavras.
para quem eu queria compor uma música mas me falta
o ritmo adequado para o tom de tua voz
Que eu queria dar uma rosa,
porem não há rosas que te merecem no outono
que eu queria dar as estrelas, a lua e o sol
mas me falta teu brilho, fé e força para os tirar do céu azulado.

Você é aquela para quem queria me expressar,
mas me falta a coragem
Com quem gaguejo para falar,
me faltam palavras
e as idéias me fogem
junto de meus olhos que vão parar nos teus olhos,
na tua face, em cada pequeno detalhe.

Tais versos ja soam como um clichê,
que envolve o que realmente quero dizer, que porem,
tambem não sei ao certo oque é.
Só há uma coisa que sobra em mim, que é o sentimento
porem do que ele me serve
se ainda me falta
A Amada.

(Guilherme A.  Mundim)

Pra marcar o dia dos namorados… mesmo que eu esteja muito longe desse clima

 

MaladroiY Junho 1, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 12:47 am

Oui, c’est vous. Tu es un garçon tres maladroit.

São desenganos, desavenças, desencontros porpositais, covardias. É mais de um mês(ou seria mais de um ano?) de sofrimento, decepções, descaso, sinismo.

São feridas abertas, difíceis de cicatrizar, que causam dor aguda e só pioram. Dada sua  falta de cuidado, percebo a iminência de medidas drásticas. O quadro exije fortes antibióticos com efeitos colaterais pouco claros, em último caso amputação.

Desajeitado, sem cuidado.