h1

.Ju.

Julho 2, 2009

Eu já escreví sobre ela, mas se há um pecado que vale pelo excesso é o tal do carinho pra ela.

A Ju é meiga e sabe ser, não é melada e não peca na pretensa perfeição:  desfila, de vez em quando, encantadores defeitos.ju

Caos de cores confortável, que alegra sem cansar. A Ju é toda amores e por isso, carinhos e por isso, ciúmes.

Um brilho de olhar sincero da espera constante pelo seu amor e pelos amigos. Ela espera e recebe, recebe e bem até quando não são amigos.

“Regininha enJuada”, eu rio, pois ela tem licença poética pra ser como é em tempo integral e cativar, e querer , e não querer.

Gosto afinado, opinião afiada, sentimentos cortantes – plenamente intensos, mesmo que devidamente abafados quando necessário.

Não sei se vale a pena me delongar nas letrinhas. Só queria registrar que a Ju é mesmo muito minha amiga. E eu gosto dela. E tenho lá os meus motivos.

h1

Não curto o estoicismo

Julho 1, 2009

As pessoas se assustam quando eu choro, eu não sou disso.

Também não sou de dar escândalo por causa de barata, nem vexame por grandes porres, nem showzinhos pitorescos por ciúmes ou amores mal curados.

Eu posso até parecer meio adepta do estoicismo.

Talvez minha sociabilidade moderada, ou timidez inrustida me faça parecer mais “alto astral” e “do bem” do que eu realmente sou. Sempre numa boa, sem grandes paixões,  nem ódios, 90% neutra…nem ácida, tampouco alcalina. Aos olhos dos outros eu pareço estar mais no médio. Estóico

Mas estóicos aceitam, vão na corrente das adversidades, não se entregam à paixões, filtram o mundo a sua volta, ponderam, esperam a hora certa mesmo que a morte chegue antes dela.

Eu não sou estóica. Não me dou por vencida, insisto muito mais do que devia e fatalmente me machuco. Me apaixono e me imagino apresentando pra família e quebro a cara. Sou cativada, abro-me e tomo na cara.

Eu choro

de vez em quando, em público

nesse momento eu surpreendo todo mundo

Mas, sabe o que é?

.

.

.

Não curto o estoicismo

h1

É estranho

Junho 27, 2009

sentir culpa por tornar alguém necessário

acabar voltando atrás e seguir a política do “ruim sem você, pior sem você”

não receber resposta alguma

insistir

prever uma saudade necessária

seu jeito labiríntico

ser sua amigagui

h1

A primeira vez (ou “Às vezes, eu precisava de um coma”)

Junho 20, 2009

Um dia estranho, depois de uma noite (futebolística, diga-se) estranha, de uma manhã fracassada, dei aquele passo que todo pseudo-cult-semi-depressivo precisa dar: fui ao cinema with me and myself…

Aproveitei uma promoção que eu jurava ter acabado – tão bem  anunciada que nem no site do cinemark eu achei- e paguei míseros 3,50 pra adentrar uma daquelas salas bordô do Shopping Santa Cruz. 10 minutos antes, solidão devidamente camuflada entrei no cinema linda e morena pra dar de cara com a imensidão de cadeiras vazias. Saí pra comprar umas balinhas e ver se chegava mais alguém.. e quando voltei havia um aumento exponencial de 3 ocupantes: um casal que descobriu que podia pagar mais barato pra se amassar no cantinho da última fileira e um moço tão perdido e solitário quanto essa que escreve. Bem acomodada, começo a ouvir a agradácel rádio trama ESPECIAL NOEL ROSA… Depois de muito hesitar, liguei pro vovô pra contar desse momento mágico, mas nem ele pôde me atender. Fadada à solitude, deixei que as luzes se apagassem sem demora e comecei a ouvir os estalinhos da antiga fita espanhola – NÃO ERA DIGITAL, DUR.

(E falemos do filme, então)

Apesar de ser uma recém iniciada na obra do espanhol, ouso dizer que Almodóvar está para o cinema assim como o Chico está para a música: sapiência para retratar, falar, entender e tocar o feminino.

E o começo é como tudo, tem sempre um antes.  Não há mera apresentação de personagens que passarão a se envolver em uma trama, e sim cada qual com sua própria trama, que se entremeia em outras e se faz viva.

E são vários os deleites. As referências a nossa cultura tropical, abençoada por Deus e bonita por natureza enchem de patriotismo até meu coração que se empolga mais com o Egito na copa das confederações.

Elis Regina cantando “Por toda a minha vida”. Uma mulher,toureira e, óbviamente, um touro – ballet de vermelhos e olhares, planos de arrepiar.

E como se fosse pouco ainda tem o Caetano que dá as caras lá por Madri só pra deixar “os pelos pra cima”com Cucuru de Paloma.  A contribuição brasileira ainda vai a citação de Tom Jobim “e amor é a coisa mais triste quando se desfaz”.

E as mulheres de Almodóvar são sempre encantadoras, fortes e labirínticas como as do mundo real, que precisam ser ouvidas, e acariciadas, e compreendidas, precisam de atenção e da certeza de sempre serem importantes nas sábias palavras de Benigno, porque os homens – uns mais, outros menos” hombres” – não passam despercebido por essa trama.

E tem o coma, e a profundidade, e a morte que faz com que se deixe assuntos eternamente pendentes. E tem o falar, o ouvir, o dividir, o sentir e o dançar… como também tem o chorar.

O amor servil e débil de Benigno, a pendência de Lydia, a fuga/busca aflitiva de Marco, a rotina urbana, a arte, tudo o que o filme reflete de mais humano ecoava dentro de mim de uma maneira que não se pode expressar. Pelo menos não aos 16 anos e com tão pouca cultura…

Retiro-me com um humilde “vale a pena”

Pelo sim, pelo não deixo a dica de Benigno: Hable con ella.

h1

Que se sinta e não se entenda

Junho 20, 2009

Pode ser muito estranho… Nos reencontramos depois de 6 (7?) anos, felícissimas por esse achado, mas sem poder falar de “saudade”.

Saudade é denso, é profundo.. é mais que memória carinhosa, é mais que presença em festa de aniversário. Isso conta, mas não dá saudade.

Desde então, nos vemos sempre que dá. Uma semana que falha é o bastante: saudade.

Não foram 7 anos, mas a palavra era essa. E nada me deixou mais feliz do que ouvir “ai que saudade” e saber que a recíproca era inteira e perfeitamente verdadeira.

Tá vendo? Esse negócio de sangue é balela… dei sorte que em alguma parte os nossos são iguais. As conversas, a cumplicidade, as coincidências incríveis nos tornam muito mais que primas. Primas ficam seis anos sem se ver e até disconfiam que não se reconheçam mais. Nós ficamos uma semana sem nos ver e cultivamos saudade.

h1

Foco

Junho 14, 2009

Eu vou comprar uma câmera de fotografar gente.

Ela só funciona ao ar livre  e gosta de vida, de movimento, de desordem.

Vou fotografar alegrias saturadas, gargalhadas de alto contraste, show ao cair da tarde,  pôr-do-sol escarlate.

Vou pedir uma pose ao meu casal de margarina preferido, minhas jaopnesinhas vão se multiplicar no filme e quem diria que minha menina poderia ficar ainda mais colorida! Vou dar saltos e piruetas, ampliar meus horizontes com 4 disparos em 2 segundos! Todo carinho multiplicado, tudo que valha a pena ser guardado, toda a brincadeira e memória.

Vou colocar a dramatização dos amigos em camadas, vou registrar as peripécias com a prima reencontrada, vou paparaziar toda a cachorrada, a guerrinha d’água da criançada e o baralho da velha guarda.

Vou deixar aqueles meninos voarem, com meus  clics a milhão, fotografar tudo que inspira esse quase-coração.

Porque meu coração gosta de vida, de movimento, de desordem.

http://microsites.lomography.com/supersampler/galleries/moveyoursubject/39

.

.

.

E é lógico que vai ter foto mais difícil, tirada a muito custo e guardada com muito carinho. Vou tirá-la da carteira no baile da suadade e dizer:  “Tá vendo, botafoguense turrão? Mesmo sendo capitalista eu tinha mais de comunista que você… você nem sabia o que era uma Lomo!” E a gente vai brigar, como em todas as nossas histórias de melhor amigo.

h1

Sentimento elíptico

Junho 12, 2009

Somos muito sem sermos nada… Amamos demais sem saber ao certo o que amamos. Um sentimento muito forte, mas que depois de pasteurizado  perdeu o gosto, perdeu a cor, manchou nós dois e desbotou um só coração.

Somos grandes períodos simples, soltos e independentes.  Mas há uma coordenação ou até uma subordinação misteriosa, pouco clara. No msn não há preocupações com as regras de pontuação, sobram reticências. Ao vivo sobram pontos finais e falta pontuação emotiva.

Você? Voz passiva sintétissíma, um sujeito dos mais ocultos, muitas vezes inexistente. Fica difícil te classificar assim, tão distante, isolado por vírgulas.

E eu, sujeita tão paciente, acabei na sua vida como um advérbio deslocado  e perco minha intensidade até me tornar  uma conjunção, sem nenhum valor semântico nem sintático.

Vai ver que a raiz dos problemas tá aí….  Não é covardia, nem indiferença, nem  desamor. O único problema é que seu forte nunca foi gramática.

h1

A amada

Junho 11, 2009

você é aquela pra quem eu queria escrever um poema,
mas me faltam as palavras.
para quem eu queria compor uma música mas me falta
o ritmo adequado para o tom de tua voz
Que eu queria dar uma rosa,
porem não há rosas que te merecem no outono
que eu queria dar as estrelas, a lua e o sol
mas me falta teu brilho, fé e força para os tirar do céu azulado.

Você é aquela para quem queria me expressar,
mas me falta a coragem
Com quem gaguejo para falar,
me faltam palavras
e as idéias me fogem
junto de meus olhos que vão parar nos teus olhos,
na tua face, em cada pequeno detalhe.

Tais versos ja soam como um clichê,
que envolve o que realmente quero dizer, que porem,
tambem não sei ao certo oque é.
Só há uma coisa que sobra em mim, que é o sentimento
porem do que ele me serve
se ainda me falta
A Amada.

(Guilherme A.  Mundim)

Pra marcar o dia dos namorados… mesmo que eu esteja muito longe desse clima

h1

MaladroiY

Junho 1, 2009

Oui, c’est vous. Tu es un garçon tres maladroit.

São desenganos, desavenças, desencontros porpositais, covardias. É mais de um mês(ou seria mais de um ano?) de sofrimento, decepções, descaso, sinismo.

São feridas abertas, difíceis de cicatrizar, que causam dor aguda e só pioram. Dada sua  falta de cuidado, percebo a iminência de medidas drásticas. O quadro exije fortes antibióticos com efeitos colaterais pouco claros, em último caso amputação.

Desajeitado, sem cuidado.

h1

Eu perdi uma flor…

Maio 28, 2009
"Puisque c'est elle que j'ai écoutée se plaindre, ou se vanter,
ou même quelquefois se taire.
Puisque c'est ma rose."

Perdi uma florzinha, coisa simples e novinha. Ela não tinha história, nem cheiro nem memória nem vida, mas voou feito borboleta e foi parar numa outra cabecinha bem qualquer.  Fiquei chateadinha, bem pouco, e contei pra todo mundo. Achei que tinha me dado mal, ledo engano.

Ganhei uma flor, e essa sim cheia de charme e história, surpesa e bem-querer. Ganhei muito mais que uma flor, um carinho tão  terno que só podia ver de quem veio. Ganhei a confirmação de ter uma nova querida na minha vida , fofura em pessoa e olhinhos puxados, em sorrisos, abraços e surpresas. Um carinho instantâneo e que eu só vou fazer crecer mais a cada dia!

Não perdí foi nada, só dei a chance da vida me dar um presentão!

MUITÍSSIMO OBRIGADA, LÊZINHA!

maio 037