Me apaixono mesmo por defeitos.
Assim, categoricamente. Qualidades são admiráveis, agradáveis, cheirosas e arrumadinhas. Mas ah! Quando os defeitos se encaixam, que raro, que saboroso. Se fosse pra gostar de qualidade, eu gostava de todo mundo! Todo mundo tem seu lado bonzinho.
Eu digo que amo quando aceito defeitos dos que valem a pena. Se eu gostei de defeitos, lá vem: paixão.
Sabe aquela rabugice ? Me faz ter vontade de ficar em casa de cara amarrada. Sabe aquela frieza que faz qualquer manifestação de carinho valer ouro? Sabe aquela excesso de princípios que dá vontade de voltar no tempo e virar dona de casa aprisonada? Aquela inconstância da melhor montanha russa do Bush Gardens, que acaba prendendo as borboletas no estômago. A falta de estilo. O jeito que o cigarro pende irritantemente na boca. As vergonhas musicais. O time errado, a mania de falar palavrão, de grunhir, de não responder e decepcionar. Tudo me dá nos nervos e eu não canso de reclamar… mas depois de ranger os dentes eu mordo os lábios. Percebo o tanto que preciso daquilo: da reclamação da briga e da chatice. Se brigo e insisto é porque são só dele os defeitos que me deixam apaixonada.
