Codinome Beija-flor

amplificando segredos de liquidificador

Bom mesmo é o difícil fevereiro 3, 2010

Arquivado em: Olhando longe — Beija-flor @ 2:25 am

Me apaixono mesmo por defeitos.

Assim, categoricamente. Qualidades são admiráveis, agradáveis, cheirosas e arrumadinhas. Mas ah! Quando os defeitos se encaixam, que raro, que saboroso. Se fosse pra gostar de qualidade, eu gostava de todo mundo! Todo mundo tem seu lado bonzinho.

Eu digo que amo quando aceito defeitos dos que valem a pena. Se eu gostei de defeitos, lá vem: paixão.

Sabe aquela rabugice ? Me faz ter vontade de ficar em casa de cara amarrada. Sabe aquela frieza que faz qualquer manifestação de carinho valer ouro?  Sabe aquela excesso de princípios que dá vontade de voltar no tempo e virar dona de casa aprisonada? Aquela inconstância da melhor montanha russa do Bush Gardens, que acaba prendendo as borboletas no estômago. A falta de estilo. O jeito que o cigarro pende irritantemente na boca. As vergonhas musicais. O time errado, a mania de falar palavrão, de grunhir, de não responder e decepcionar. Tudo me dá nos nervos e eu não canso de reclamar… mas depois de ranger os dentes eu mordo os lábios. Percebo o tanto que preciso daquilo: da reclamação da briga e da chatice. Se brigo e insisto é porque são só dele os defeitos que me deixam apaixonada.

 

E nem é Almodóvar janeiro 23, 2010

Arquivado em: Olhando o mundo, Opinativa (coisa séria, ou não) — Beija-flor @ 8:13 pm

Essa semana me aventurei pelo cinema e entrei na sala escura pra ver um título: à moda da casa (Fuera de Carta) . Não sabia nada além do que estava escrito na pequena resenha do HSBC Belas Artes, mas me pareceu atraente e tinha um horário ótimo. Pra quem não esperava nada, foi mais do que grata surpresa.

Uma comédia que faz rir (juro, não é tão simples assim) desde as primeiras cenas. Maxi (Javier Camara, de Fale com Ela) é quase uma caricatura de chefe de cozinha afetado, histérico o e obsessivo quando se trata da estrela do Guia Michelin (que resultaria no reconhecimento de seu restaurante e superação das dificuldades econômicas). E ah, ele é gay.

Esse último breve comentário faz TODA  a diferença: a comédia trata do homossexualismo com MUITO humor, mas sem deixar de lado o caráter sério da discussões sobre preconceito que ainda merecem espaço e todo o tipo de mídia e arte. Esse lado do filme fica mais do que claro no dilema enfrentado por Horácio (Benjamín xuxuzinho chileno Vicuña) , um ex-jogador de futebol que se apaixona por Maxi, porém sabe que assumir sua opção sexual afetaria de forma drástica sua carreira como treinador e comentarista de TV. (Se alguém mais lembrar do Richalyson nessa polêmicas “gays e futebol”, tell me)

Talvez o grande mérito do filme seja fazer com que essa polêmica permeie toda a narrativa sem que se torne o único assunto a ser retratado. A vida amorosa conturbada  de Alex  (Lola Dueñas, de Abraços Partidos) em busaca de um namorado e a crise familiar pela qual passa Maxi, ao deparar-se com o desafio de assumir o papel de pai de seus dois filhos quando a mãe das crianças morrem e cada pequena história da equipe do restaurante acabam por desenhar situações tão cômicas e emocionantes quanto a do conflito central e tornam um filme uma primorosa história sobre relações familiares, profissionais e preconceito. Ah, sem esquecer da fantástica opção de abrir mão de qualquer “Politicamente correto” e despertar a gargalhada daquelas mais escrachadas,  que você só pode soltar quando se trata de ficção,

Enfim, existe bom cinema espanhol além de Almodóvar (só que em alguns momentos, você jura que o filme é dele)

 

(D)existência janeiro 10, 2010

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 6:02 pm

Que joguinho de palavras medíocre não? É, até que não.

Talvez essa seja a fase mais “escolhas” e “despedidas” da minha vida, ou pelo menos, a fase em que elas são mais drásticas.

Percebo, de maneira cada vez mais clara, que “desistir” é um processo intrínseco ao de “existir”: abrir mão, live and let die, descartar, preferir, deixar de lado.

Não sou muito boa em manter muitas coisas – e, especialmente, pessoas – em minha vida: As que quero, quero e ponto… cultivo e insisto. Mas de resto… deixo ser, deixo passar. Adoro ter pessoas que existem em minha vida no limite entre o sim e o não: são quase como miragens, sonhos.. fazem bem e passam, não fincam raízes, não me dão trabalho. Adoro dias ótimos que nunca serão repetidos, lembranças remotas e saborosas. O fim, o deixar de ser e o sumir fazem com que as coisas fiquem marcadas de um jeito que eu não consigo julgar negativo. Amo o passado, mas vejo que o novo sempre vem e o fim é parte de um processo muito maior. Existe sempre um bom motivo pra (deixar de) ser. Sem pontos finais – no mínimo vírgulas – , só existiria um período longo e confuso.

Gosto de ter opções e , apesar de ser indecisa, gosto de escolher. Faz parte da minha natureza abandonar, ainda que eu não goste de despedidas.

 

um post clichê dezembro 31, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 2:29 am

Senhor 2010,

já que é pra ser inventado, juro que prefiro você a Papai Noel. Não sei se é porque vocês, anos novos, realmente não falham em nenhum encontro ou porque se a gente  (des)gasta menos pra que a tal virada aconteça, mas na noite de amanhã estarei esperando você como fiz com todos os outros.

Essa coisa de tempo é muito engraçada, não sei medir quando um ano é “Melhor” ou “Pior” que o outro, então só peço que seja. VOCÊ PROMETE! Ia te pedir novidades e mudanças, mas essa são inerentes. Gostaria também que você trouxesse consigo aquelas pessoinhas que acabam agregando valor a nossa vida, assim como fez 2009 até o finalzinho! Se não for pedir muito, deixe que eu guarde os meus tesourinhos, que são muitos! Se precisar, dê uma procurada em 2009, 2008,2007… vai encontrá-los sem demora. Espero que seja ainda mais fácil encontrá-los em mim, do meu ladinho.

Espero que eu te viva por inteiro, em extensão e intesidade… E QUE VENHA A MAIORIDADE!! E os desafios, os sorrisos, as novas memórias, as delícias e também as dores, pra me lembrar que tudo é muito real e muito vivido.

Quer saber, seu ano? QUE VENHA. O resto deixa comigo.

Abraços de um passado recente

 

Tradição dezembro 25, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 2:24 am

“Então é Natal”

Pra mim, a mais protocolar das festas. Minha posição de neta única talvez seja determinante pra essa visão tão peculiar de Natal: muito além de 2 perus e o dobro de presentes, essa condição faz com que a guerra se instaure entre papai e mamãe. Além de tudo, hoje em dia não há crianças na família… portanto a extensão da festa já não é a mesma : eu já não toco flauta e também ninguém precisa de malabarismos mirabolantes pra fazer o presente do papai noel ir parar debaixo da árvore. Também não há caça ao presente (eu sei que isso é coisa de Páscoa, mas foi a alternativa que mamãe encontrou pra deixar o natal lúdico depois do meu agnosticismo precoce).

Hoje em dia ninguém tem mais saco não, a vida é assim. Pouco a pouco, vou caindo na tradição de achar a data mais depressiva do ano, sim. Muita lembrança, muito saudosismo, muita reflexão e muuuuito protocolo. O estresse de comprar presentes “x” pra família inteira, sem conseguir ter o sincero objetivo de agradar, a romaria pelas casa das tias, com a “pré-disposição” de agradecer aqueeeele  kit de sabonete que você tava precisando e o apetiiite pra comer o quinto peru da semana. O décimo pedacinho de panetone não faz mal a ninguém.

Também ví cenas fortes e que não combinam com Natal… sei lá, sei lá. Quero que venha looogo 2010.

Espero estar mais animada no reveillon!

 

=/= dezembro 17, 2009

Arquivado em: Memória, Momento — Beija-flor @ 2:30 am

Dezembro é um mês de posts retrospectivos. Meu impulso natural foi escrever sobre as músicas que maracaram o ano. Parecebí impossível. E mais que isso, percebí que esse ano foi mais especialmente marcado por pessoas.

Não é que antes eu fosse uma misantropa amarga, mas esse ano muitas pessoas surgiram, surpreenderam-me, fizeram-se importantes como nunca poderia imaginar.

Algumas eram “pessoas” e tornaram-se de fato amigas, outras ressurgiram amigas, outras mesmo sendo apenas “pessoas” conseguiram mudar meu dia, minha semana, mudar meu ano a ponto de estarem aqui me rendendo um post.

Pessoas que parecem ter surgido tarde demais, e me fazem querer estar errada sobre isso -assim como estive nos últimos anos em não percebê-las-, pessoas que surgiram no timing perfeito e carregam consigo essa plaquinha de “futuro promissor”.

Pessoas que não precisam existir com tanta intesidade, pois basta um encontro casual esporádico pra me deixar pisando leve, pessoas que talvez nem saibam que eu exista, pessoas virtuais, pessoas “ideais”, pessoas a granel,  a la carte.

Não sei se foi uma disposição extra, ou desespero da minha parte. Talvez a conjunção dos astros ou a vontade de me encontrar nos outros. O destino de um, o dente do ciso, o amigo comum, o olhar indeciso, a vontade de dizer, a iniciativa, o olhar querendo ver, a memória mais viva… as tantas justificativas e os carismas que encontrei.

Sei que meu ano foi assim, cheio de gente. E que assim seja, assim sendo, e continue

 

Ímpar dezembro 12, 2009

Arquivado em: Uncategorized — Beija-flor @ 10:28 pm

“Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar
Sabe lá”

Eu já peno par lidar comigo mesma, não me venha com mais um nessa jogada.

 

Anti-lirismo dezembro 7, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 9:11 pm

“É preciso algo mais do que simplesmente ter um tema, uma inspiração ou um sentimento para ser poeta”

Eu não faço mais poesia

Se nunca fui poeta, antes ainda havia tentativa

Mas hoje, me perdí de mim

“Perdí” não, que é passado pontual, mas…

Fui me perdendo

Entre a dureza enciclopédica

E a socialização pasteurizada

Entre beijos e abraços vazios

Entre fórmulas e verdades universais

Eu fui vazando de mim

Escorrí entre as estações de metrô que percorrí

As duvídas que tive

As paisagens que conhecí

E os braços que me tiveram

Perdí a graça

Perdí a cor

Todas as liras de todos os anos.

Há de ser hora de me achar, de me juntar as pouquinhos.

Talvez , nesse natal importado, o Papai Noel de casaco de neve não deixe a minha essência derreter e a entregue de volta no calor registrense.

Talvez seja hora de começar esse “novo ano”, que vem de um calendário mais vazio do que eu agora. Hora de vestir branco, viajar, parar no trânsito, consumir, fazer promessas irrealizáveis e contagem regressiva, dinamizar  a economia pós crise, comer lentilha, soltar fogos como em mais uma reedição de ano novo.

Talvez seja o momento de me reencontrar em mim sendo outra, já mais madura, já mais mulher, já menos poesia

Por enquanto, estou vazia.

 

Desabafo novembro 27, 2009

Arquivado em: Momento, Olhando longe, Olhando o mundo — Beija-flor @ 12:42 am

Não sei explicar, mas sinto um peso novo….

Não é mais lição de casa, é auto-estudo.

Não é mais “passar de ano”, é a vontade de estar na faculdade que -acho que- eu quero.

Não é mais minha mãe me mandando comer direito, dormir cedo,  é a minha qualidade de vida.

Não é um compromisso, é o medo de frustar expectativas alheias.

Não é mais precisar do outro pra viver, e sim perceber os reflexos dele em mim…ainda que de longe.

Não é mais o cumprir as regras dos outros, é saber jogar com as minhas.

Acho que  isso é “crescer”, ouso dizer que isso seja “amadurecer”.  Tomar cosciência do peso e da medida dos meus atos e saber que, antes de tudo, sou eu o principal alvo e o único agente de cada um deles. Espero aprender a lidar melhor com isso dia após dia, paulatinamente. Afinal deve ser isso que chamam de “vida” nas rodinhas de gente grande.

“Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido.” Caio F. Abreu

 

BIGV novembro 17, 2009

Arquivado em: Uncategorized — Beija-flor @ 10:50 pm

“Nós quatro, nós quatro

Eu com ela

Eu sem ela

Nós por baixo

NÓS POR CIMA”

Nesses momentos de fim simbólico a gente sempre desenterra umas saudades ou dá atenção às não tão latentes. Esse é um caso.

Nunca fui a favor de panelinhas – hoje não me considero membro de nenhuma – mas em 2007 eu fui, e não me arrependo. Quatro meninas nova que não se conheciam muito, uma sala nova, 3 delas eram novas no colégio. Duas delas eu nunca imaginei como amigas, a outra era um ser neutro.

E depois de tímidos almoços e um memorável açaí não demorou muito pra essa galerinha do barulho começar a armar muitas trapalhadas e confusões pelos quarteirões do Paraíso.

Na vida escolar, um quarteto é quase estratégico: são duas duplas e um grupo padrão de atividades. Mas elas acabaram sendo um extra-curricular e tanto. É óbvio que alí existiam 3 níveis de amizade: A melhor amiga, a grande amiga e a amiga da amiga. E foi nesse padrão que a vida seguiu.. quando tudo começou há um tempo atrás, na ilha do sol, não imaginávamos que íamos viver TANTO. Papos nonsense de MTV, dias gordos e “girly” de GNT, momentos de dramalhão mexicano, tramas de gossip girl e confraternizações de F.R.I.E.N.D.S.

Foi errando e acertando com elas que eu me tornei quem eu me tornei. Os erros delas me fizeram rir algumas vezes, endurecer outras e aprender sempre.

Talvez por ter sido num momento crucial, talvez por eu não esperar muita coisa de cada uma delas, talvez por personagens externas que eu não vou citar aqui, talvez por nada disso…. elas se tornaram determinantes na minha vida.

Hoje vejo a Isa muito pouco, mas não deixo de rir da cara dela quando posso.

Hoje não estudo mais com a Gabs, mas a minha flor tem raízes das mais profundas no meu jardim.

Hoje a Babi é ainda mais que antes, mas a presença física dela me faz falta.

Podemos não ser mais uma panelinha, podemos não mais almoçar juntas, passar horas brisando sobre sabe-se-lá-o-que na escada, podemos não mais sentar lado a lado, podemos não ter mais as setinhas da amizade em nossas mãos. Podemos até não mais ser BIGV… se o laço afetivo afroxou, o das memórias está tão apertado que já é parte de mim… e eu não me arrependo de ter vivido absolutamente nada do jeito que eu viví.

Ainda que mude muito, a “versão 2007″ de vocês está carinhosamente guardada comigo.