Codinome Beija-flor

amplificando segredos de liquidificador

Viver bem é… Novembro 8, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 6:23 pm

Aiai, escolhas boas que a gente faz da vida.

Escolhí o sol no sábado. Ao invés de morrer estudando, peguei um metrô e um ônibus e me coloquei a andar entre antiguidades na Benedito Calixto. Não dispensei uma boa companhia conhecida pra me acompanhar e se perder comigo entre os olhares indies de belos barbadinhos escondidos atrás de seus Wayfarrers.

Entre o som e o consumo -surpresa- escolhí o primeiro. Entre muito oléo de fritura, pastel, caruru e outras comidinhas de feira estávamos nós ouvindo chorinho do bom tocado por uma banda simpatissíssima de vovozinhos afinados e moçoilas graciosas.

Escolhas que fazem da gente: de repente, simpáticos senhores puxam papo. Como o primeiro não é tão senhor nem tão simpático, a gente evita de leve. O segundo, que parece ter saído de uma novela do Manoel Carlos é educado de dar gosto, e começa aquele papo delicioso.

Engraçado como isso não acontece com outras pessoas. Eles são de outra época, e isso não é uma crítica. Eles são do tempo que se conversava na rua sem medo, em que a socialização não era virtual. Eles perguntam pra gente se a gente já “olha pros meninos jogando futebol e escolhe um pra tirar do campo e ficar junto”. Eles têm um charme, um jeito de ver a vida tão mais bonito, tão mais chorinho, tão mais samba.

E quando me escolhem, me tiram pra dançar. Aí eu rebolo pra acompanhar o passo desses bambas de gafieira que me dão a honra da dança, da atenção e do carinho sem intenção além do fazer amizade, do dividir, do aproveitar uma tarde de sol e chorinho.

Imagine se eu tivesse escolhido ficar em casa?

 

Receio Novembro 3, 2009

Arquivado em: Memória, Momento — Beija-flor @ 12:46 am

Começo aqui um dos posts mais desejados, planejados e difícieis desse blog. Uma homenagem quase tardia a uma das pessoas dignas dela que conheço.

Talvez eu não tenha motivos para tanto medo. Talvez tenha motivos demais. Mas é que, é que…

Tem pessoas que merecem ser impressionadas. Tem homenagens que precisam ser feitas com muito cuidado, pois só assim cumprirão sua função.

Essa pessoa eu adimiro há tempos,  me identifico e, por ela, às vezes, manifesto uma idolatria quase ridícula. A importância dela nesess últimos quatro anos  faz com esse post seja mais que um desafio, um dever moral.

Deveria começar … pelo começo.  O primeiro traço adimirável era mesmo “profissional”.  Afinal, bons professores marcam nossas vidas. Bons professores que nos fazem entender matérias difíceis marcam mais. Mas professores extraordinários te surpreendem. E foi isso que ele fez quando disse “lembro da nota dela porque ela é são paulina”. Poxa, todo mundo dizia que nesse colégio eu não passaria de um número e ele me vem com essa logo no começo do ano!  Já achava o cara demais.

E a partir de então ele já era um professor querido. Mas eu, tendo alguma auto-crítica e uma timidez de tatu, nunca fui de super ficar fazendo social com professor… demorou pra descobrir que além de torcer pro melhor time do mundo, ele também curtia fórmula 1 e jazz. E no fim do ano- de TETRA, aliás- era um ídolo. Pena que eu ia acabar mudando de professor.

Não tão cedo, pois no primeiro colegial lá estavam os powerpoints de álgebra , a atenção e competência dele salvando a vida dessa humanóide. Ano de PENTA aliás, em que ele deu aula com faixa de campeão antecipado e tudo. Uma grande figura!

No segundo colegial já não tive a mesma sorte. Mas tudo bem, ainda nos encontrávamos no corredor e pudemos comemorar o HEXA!

No último ano, O CAMPEÃO VOLTOU!! E as aulas de álgebra eram novamente precedidas de comentários da rodada. Mas último ano é sempre pior né?! Acabei descobrindo que o cara foi ao show do Radiohead, adora Jorge Drexler e tem um blog sensacional no qual comenta sobre todos os filmes que eu quero ver na minha existência.  Sim,  idolatria ridícula! Sempre lá, puxando um papinho…tentando o absorver tudo o que podia daquele cara tão legal, com uma vida tão legal,  com uma postura tão legal.

Mas isso tudo não passa de um pretexto pra justificar uma admiração por coisas muito mais importantes. Uma pessoa em quem eu realmente pretendo me espelhar, que me faz acreditar de que dá pra ser realista e ter alguns ideais. Alguém que dialoga comigo sem que eu me sinta uma criança tutelada só porque ele é meu professor . Alguém que sabe como fazer a diferença em seu ambiente, seja lá qual for.  Sei lá… ele faz tanta coisa extraordinária e faz parecer tudo tão natural.

Agora acabou mesmo. Não adianta achar que ano que vem ele vai resolver dar aula na Cásper Líbero (apesar de não duvidar da competência dele para tal), que não rola. Só espero mesmo encontrá-lo por aí:  nas salas de cinema da paulista, nos jogos do São Paulo e nos corredores do Bandeirantes ,quando a saudade daquela gaiolinha  de tiojo aparente apertar.

Eu sei que vou lembrar dele sempre, com o mesmo carinho e adimiração que tenho agora.

Receio ter soado puxa saco, exagerada, infantil e etc. Mas quando se trata de Milton Sgambatti, não me contenho, não.

 

Madrugada de outubro Outubro 18, 2009

Arquivado em: Poesia — Beija-flor @ 3:05 am

Não me contento em conhecê-lo, afagá-lo

Quero sê-lo

Quero está-lo

No estalo selado do beijo

No desejo mais melado

No mistério divertido

No amante namorado

Não amar antes, sem cuidado

Atenção ao mar nunca dantes navegado

A tensão do encontro marcado

O tesão de um corpo estirado

Vulnerável no estrado

Um fado

Um desejo

Um beijo

E morangos mofados

 

Ciclo virtuoso Outubro 18, 2009

Arquivado em: Poesia — Beija-flor @ 2:44 am

Ler me inspira a escrever. E quanto mais eu escrevo mais eu quero ler. Aí sai mais ou menos isso:

 

Não me dissuadirão

Ainda que muito eu viva

Do teu amor me fiz cativa

Não houve necessidade

Fostes minha opção decisiva

Do teu amor me fiz cativa

Por felicidade, teimosia,

Ainda que sem motivo

Espero que do meu amor

Tu também te faças cativo

Insistirei fielmente

Nessa ferida corrosiva

Do teu amor serei cativa

Uma paixão surgirá

Talvez com muitas conviva

Do teu amor serei cativa

“Es mub sein” – sina escolhida

Meu destino verdadeiro

Teu amor, meu cativeiro

 

Sobre o tempo Outubro 4, 2009

Arquivado em: Momento, Opinativa (coisa séria, ou não) — Beija-flor @ 10:30 pm

Ele tem me faltado. O pobre blog ficou abandonado. Essa falta me incomoda. Quando incomoda eu escrevo.

O último post já tinha a ver com o tempo, é bem verdade. Mas agora o approach é outro. Daquela época em que a vida parece uma bomba relógio. Duas semanas praquilo, 2 meses pra isso, 24 horas, 5 minutos, 2 décadas.

Plano, vaidade, vontade, compromisso, desejo, vida social, agenda, tic tac, tic tac, tic tac. O tempo parece escorrer pelas mãos , como já diria Lulu. Muita pressa, otimização,prazos, metas, pouco sono, pouco ócio. Vivendo tudo que há pra viver, mas sem me permitir. Não me permito um dia sem estudar, não me permito faltar no churras, não me permito deixar passar AQUELA oportunidade. Eu não me permito? Os outros não me permitem, o sistema não me permite, os bons costumes não me permitem. Assim, com preguiça e botando a culpa nos outros , eu vou fingido me fazer, deixando que me façam.

Atire a primeira pedra aquele que não chega no domingo programando a semana. O futuro é necessário! Mas junto com ele vem o medo, a falha e todo o resto que me desmotiva. Justo eu, que ainda na semana passada me queixava de AINDA ter 16, AINDA estar no colégio e PERDER aquela oportunidade.

Essa ansiedade de abraçar o mundo aperta o coração.

Entrou por uma porta, saiu pela outra. Quem quiser que conte outra

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TOP 10 – AFLIÇÕES CRONOLÓGICAS

Tempos Modernos – Lulu Santos

Sobre o Tempo – Pato Fu

Amigo do Tempo – Mombojó

Paciência – Lenine

Tempo no Tempo – Mutantes

Senhor do Tempo – Caetano Veloso

O Tempo não Para – Cazuza

Tempo Perdido – Legião Urbana

Tempo sem Tempo – José Muiguel Wisnik

Meu mundo é hoje – Paulinho da Viola

 

Do ócio necessário Setembro 16, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 10:55 pm

Depois da tempestade, nada melhor que uma bonança, ou melhor, um dia de sol.

Coisas que nos fazem pensar em “cresimento”, “amadurecimento”:  o valor do tempo livre.

Sim, ontem foi uma tragédia grega mesmo: 7 horas de estudo, um terrorzinho, A procupação. Mas passa mesmo, juro que passa. E quando passa é bom!

Necessidade de passar uma tarde estirada no sofa, do lado dos amigos, revirando câmeras analógicas na internet. Dando risada, comendo pão de queijo, rolando de rir.

Tenho muita necessidade disso. Gosto de crescer, estar viva, viver cheia. Mas às vezes é bom fingir que a gente para o tempo, freia aqueles milhões de contagem regressiva, passa um dia sem ambições, registra tudo no fim como uma enumeração barata que faz bem!

 

Eu náo sei dicer pórtugueis Setembro 13, 2009

Arquivado em: Música — Beija-flor @ 4:17 pm

Beirut fez o carnaval indie no Via Funchal.

Ressalto Beirut porque eles mostraram que são muito mais que banda de apoio do Zach Condon. Mas comecemos pelo começo.

Uma noite perto da Daslu. Muitos indies. Aqueeele clichê. A nata da social cult estava por lá: Indie-brechó, Indie-teatro, Indie-bukowski, Indie-pai, Indie-filho. Eram barbas, cabelos e bigodes. Chapéus-coco, boinas e panamás. Xadrez, all-star, reverbcity, conto do vigário, nonsense, needles & pins, sound & vision  e mais (inclua sua enumeração indie aqui). E valeu a pena chegar antes pra fazer o people wathcing nosso de cada dia e chegar a essas conclusões.

Valeu a pena chegar mais cedo? Opa, retiro o que eu disse. Quem dera atrasar e perder a “banda” de abertura. Manacá entrou no palco com aquele ambiente de churrascaria. As pessoas procuravam sua CADEIRAS (erro 1: show sentado) enquanto a banda assassinava “Canto de Ossanha” (erro 2, muito pior).

É meus amigos, nada é bom demais que não possa ter o dedo da Dona Globo pra botáafudê. A banda da Capitolina tinha que dar o ar da graça pra justificar o sucesso de “Elephant Gun”. O mais engraçado é que a banda é, de fato, da Capitolina.  Leticia Persiles tá precisando de uma desobsesão pra se livrar na personagem da microsérie. A atitude forçada, a voz fraquinha e a miscelânia errada de culturas garantiu um espetáculo de interrogações na platéia: O que essa mina tá fazendo aí?

Salvou-se Toninho Ferraguti, Claro. Mas por favor, muito pesudo essa mistura de marcatu, milonga, música clássica, rock pesado e bossa nova. Mais sorte da próxima vez, Manacá.

Mas aí veio Beirut e ninguém mais se importou. Começou logo com Nantes e a plateia por sí corrigiu o erro 1: todo mundo de pé, de forma bastante civilizada, inclusive respeitando a divisão monetária do negócio. Pagou menos, ficou atrás, não reclamou. Não demorou muito pra tocarem “Elephant Gun” que não foi tão cerejinah do bolo quanto eu imaginava. QUE ÓTIMO. A animação do público era tão grande que não teve muita diferença entre o hit e o resto. Tudo igualmente animado, uma beleza!

LEÃOZINHO! LEÃOZINHO! Se a plateia não cala, Zach arrisca o refrão e diz que esqueceu a letra (oh fuck!) e o baixista dá uma palinha só pra gente passar vontade. Decepcionou ? Talvez. Comprometeu? Jamais! Até porque teve Brazil, sambinha do bom pra inglês ver. Javanaise, Serge Gainsbourg pra ano da França do Brasil nenhum botar defeito!

Uma salva de palmas a todos os músicos do coletivo: mesmo com formação reduzida a banda não decepcionou. Paul Collins animadíssimo. Ao menos, penso que era ele. Os nerdinhos trocam tanto de intrumento que é díficil encotnrar a informação certa de quem é quem.

“Toca Raul”, Zach  divertiu, se divertindo. Magnetismo deve ser a palvra. Sintonia de muitos. Uma coisa forte.

Fimzinho. “This will be our last song. It would be nice if you came close to the stage”. SIIIM, todo mundo pra área Vip, mas longe do caos baiano. Mostramos o que os baiano não tiveram, um público educado. anfitriões que sabem se portar como bons convidados. O Zach também não tava ridiculamente bêbado e parece ter curtido de verdade mesmo o show. Foi lindo demais, foi lindo. De tão lindo, a platei barulhentíssima e muito preseverante ganhou até uma canjinha pós bis.

O via Funchal era uma festa.

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Setlist

1.Nantes
2.The Shrew
3.Cozak
4.Elephant Gun
5.Scenic World
6.My Wife
7.Postcards from Italy
8.The Akara
9.La Javanaise (Serge Gainsbourg cover)
10.Mount Wroclai (Idle Days)
Encore:
11.Cherbourg
12.A Sunday Smile
Encore 2:
13.Brazil
14.Siki Siki Baba (Kocani Orkestar cover)
15.My Night With The Prostitute From Marseille
Encore 3:
16.Gulag Orkestar
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Privilégio Agosto 31, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 11:07 pm

Foi há pouco que eu descobri que boas companhias são um privilégio. Não me refiro necessariamente aos grandes amigos, aos belos, aos inteligentes: todos eles podem ser boa companhia, mas tais características não garantem nada, assim como a ausência delas também quer dizer muito pouco.

Aprendí a fazer minha vida cheia, mais de boas companhias do que de bons amigos. Pois estes podem ser mais importantes, mas na rotina são aqueles que me fazem bem e não me dão trabalho.

Um almoço, um social no corredor, um cinema, um show… tudo pressupõe boas companhias. Conheço muitos que sabem ser, mesmo não sendo grandes amigos. E, pasmem, tenho grandes amigos que não me são “assim uma brastemp” como meus companheiros.

E que me perdoe o Rei, mas eu até dispenso Um milhão de amigos, se acaso puder encontrar minhas boas companhias espalhadas por aí.

 

Mando notícias nesse disco Agosto 26, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 12:44 am

Ai esse recomeço que me consome, esse tempo que me falta, essa ausência de mim.

Encher esse cantinho tem sido atividade postergada. Esse exercício de olhar pra dentro e pra fora e tentar ordenar tudo é árduo demais para tempo pré-vestibular.

Mas eu volto, ah se volto…

Tem muito a me incomodar por aí

 

Meu caro amigo, Agosto 19, 2009

Arquivado em: Momento — Beija-flor @ 12:19 am

hoje escrevo-te sem escrever-te. Na verdade, só não pretendo enviar porque acho injusto transformar tua caixa de e-mail no meu querido diário. Podes pôr mais uma na conta do “escreví, mas não enviei”.

O que dizer? Passei doze horas no mesmo espaço físico que você e o que eu sinto é uma saudade sem contexto, desnecessária, estranha. Porém, bem ou mal, a volta da rotina me fez menos paranóica e a vida me parece bastante viável mesmo sem você como meu maior cúmplice de existência. Aqueles abraços de hoje acho que não foram mais que isso: vontade de comprovar minha paz de espírito. Estar em sua presença já não me deixa desconfortável como antes. Não tenho urgência de você, nem da sua opinião, nem de tudo aquilo que você não demonstra por mim faz tempo. Vai ver acabou mesmo, pela primeira vez morreu uma amizade minha…

Não nego que foi estranho conversar com você recebendo o carinho alheio, como o que você nunca foi capaz de demonstrar por mim. Confesso uma vontade de olhar nos olhos com ares de “muito mais e melhor que você”, mas não o fiz, continuei a receber o carinho desse novo – e já queridíssimo – amigo, como se precisasse daquela terceira pessoa para estar na sua presença, como se já não fossemos tão próximos, como se  “amigo comum” precisasse estar alí para nos aproximar.

Você não é o irmão que eu não tenho

Você não é o meu príncipe encantado

Você não é meu companheiro de todas as horas

Você não é o melhor

Mas contigo é diferente, é inexplicável…

É lógico que você ainda tem todo o carinho do meu mundo, mas vou deixar fluir.

Vou dormir que meu dia foi tão cansativo quanto o seu. Por hoje eu não vou ficar ansiosa por sua reação, o que de antemão já é ótimo.  Vou ler aquele cara que escreve sobre  a gente, sabe?! Vou dormir um sono tranquilo e acordar amanhã radiante e calma. Vou desejar um dia bom, com as pessoas que me cercam e me fazem bem porque se importam comigo. Vou deixar a porta aberta pra você, mas não vou mais gritar pra você entrar.

Let it be.

PS: A camiseta que você usou hoje é  muito bonita, e estava combinando com a sua alegria.

É bom te ver sorrir